Expectativa de Sérgio Rezende, ministro da Ciência e Tecnologia de Lula, é de que comando da Marinha – e também da Aeronáutica – reajam a atrasos nos programas que afetam o setor

por Cida de Oliveira, da RBA


DIVULGAÇÃO // Submarino com propulsão nuclear foi concebido em meados de 2013. Projeto básico foi concluído em janeiro passado


São Paulo – A insuficiência de recursos que afeta seriamente projetos em ciência, tecnologia e inovação prejudica também ações da Marinha e da Aeronáutica. Entre elas, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), cujos atrasos e adiamentos na conclusão de etapas devem culminar no acirramento de ânimos entre o governo de Michel Temer (PMDB) e os militares. E o programa espacial brasileiro, ainda limitado ao lançamento de satélites. A expectativa é do professor Sérgio Rezende, do programa de pós-graduação em Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ministro da Ciência e Tecnologia entre 2005 e 2010, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"A informação que eu tenho é que está tudo paralisado. Não houve mais liberação de recursos, infelizmente. A queda nos repasses começou ainda no governo Dilma. No atual governo, isso nem se fala. Está tudo largado", afirmou Rezende.

Conforme destacou, um reator nuclear moderno é um instrumento muito importante para o setor. "Em 2010, aprovamos projeto liderado pelo Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) para construir o reator, em Aramar, no interior de São Paulo, onde se faz centrífugas para purificação do urânio. Liberamos R$ 50 milhões para começar a fazer. O reator nucelar é importante para testar materiais que seriam usados em submarinos, mas isso está parado", disse.

As estimativas são de o governo já gastou mais de R$ 13 bilhões para executar pouco mais da metade (60%) das obras.

De acordo com o ex-ministro, outra área sensível à redução de investimentos é o programa espacial, desenvolvido em conjunto com a Aeronáutica, que também está parado. "Vai chegar um momento em que ela começará a reagir. A aeronáutica reagindo, a Marinha reagindo, isso vai causar um 'efeito na cabeça' do governo atual. Isso vai produzir efeito nos militares, porque a Marinha vai mostrar o prejuízo de interromper um projeto como esse."

O grupo Odebrecht, envolvido na Operação Lava Jato, tem participação no Prosub. Embora prefira não opinar sobre a interferência da operação no projeto, Rezende destacou que "as pessoas que estão à frente do processo" não têm noção do que é importante ou não para o Brasil.

"Combater a corrupção é muito importante, mas acabar com a empresa? A Justiça demora para tomar decisões ou toma decisões equivocadas para fazer com que a empresa pague da forma que tem de pagar, com multa ou acordo de leniência, para que possa voltar a funcionar."

Ele criticou ainda a entrega de papéis relativas à Odebrecht ao departamento de Justiça dos Estados Unidos, levantando outras questões e levando a punições em vários países. "Quando é que os Estados Unidos iriam entregar uma empresa importante sua para outro país? A Lava Jato está fazendo isso. Uma das coisas pelas quais o PIB não cresce é porque grandes empresas estão quase paralisadas. Com a desculpa de combater a corrupção estão aniquilando o sistema empresarial brasileiro", advertiu.

Cortes


A Marinha, no entanto, negou que o orçamento de 2017 afete o Prosub. Por meio da assessoria de imprensa da Marinha, o contra-almirante Flávio Augusto Viana Rocha informou que as ações orçamentárias aprovadas para 2017 permitem cumprir as etapas planejadas para este ano.

Afirmou ainda que os cortes orçamentários de 2015 reduziram o ritmo das obras do Estaleiro de Manutenção (ESM) e da Base Naval. E que para não prejudicar o processo de construção dos submarinos convencionais, foi dada prioridade ao ESC e ao Ship Lift – um elevador de navios –, que devem estar prontos para o lançamento ao mar do primeiro submarino convencional, o S.Riachuelo, previsto para 2018.

Ao jornal GGN, entretanto, Viana Rocha informou que, terminada a concepção do submarino de propulsão nuclear há mais de três anos, atrasos em outras estruturas e a queda de 50% do efetivo da Odebrecht deixam incertezas na expectativa de conclusão. "A Marinha do Brasil admite que a crise, que assola a empreiteira e os investimentos do governo, é um desafio", disse ao jornal.

​Criado em dezembro de 2008, o Prosub consiste na construção de uma infraestrutura industrial e de apoio para construção, operação e manutenção dos submarinos, a construção de quatro submarinos convencionais, e o projeto e construção do primeiro submarino com propulsão nuclear brasileiro. Além disso, segundo a Marinha, tem entre os objetivos a capacitação técnica em projetos e construção de submarinos, permitindo ao país desenvolver de forma autônoma novas tecnologias, nacionalizando sistemas e equipamentos com ganhos para a indústria nacional.

​A implantação da infraestrutura e de apoio aos submarinos inclui a construção da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), de dois Estaleiros e uma Base Naval, um Centro de Instrução e Adestramento para as tripulações dos submarinos, além de um complexo radiológico, em Itaguaí-RJ. As obras na UFEM, no Prédio Principal do Estaleiro de Construção (ESC), no Pátio de Manobra de Submarinos e em alguns berços de atracação do cais principal e auxiliar já foram concluídas.

​O ESC e o Elevador de Navios estarão entrarão em funcionamento ainda este ano. Estão em construção, também, o prédio de ativação de baterias do ESM e o prédio dos simuladores do Centro de Instrução e Adestramento. Até o momento foram realizadas mais de 63% das obras, segundo o contra-almirante.

​O submarino convencional S-BR1 (S. Riachuelo) já tem concluídas todas as seções do casco resistente, montadas na Nuclep e transferidas para a UFEM, sob a responsabilidade da empresa Itaguaí Construções Navais (ICN), criada especificamente para a construção dos submarinos. Serão então fabricadas as estruturas não resistentes, suportes e tubulações até a transferência das seções para o ESC, onde serão feitos o acabamento, os testes e lançamento ao mar previsto para julho de 2018, com três anos de atraso. Após cerca de dois anos de testes de porto e de mar será transferido ao setor operativo da Marinha.

O S-BR2 já tem prontas as seções do casco resistente. Assim como ao primeiro S-BR1, a fabricação das estruturas não resistentes já está em curso.

Iniciada em janeiro de 2015, a construção do S-BR3 teve sua primeira seção finalizada em janeiro passado. As demais seções serão entregues até o final do ano.

E o S-BR4, construído a partir de fevereiro do ano passado, com o corte da primeira chapa que deu origem às primeiras cavernas da estrutura do casco resistente.

​Obstáculos


O submarino com propulsão nuclear (SN-BR), principal projeto deste complexo programa de desenvolvimento, foi concebido em meados de 2013. O projeto básico foi concluído em janeiro passado, quando já deveria estar pronto. Está previsto para este ano o detalhamento das fases de construção. A seção de qualificação do SN-BR deve ter início em 2018, com o lançamento do submarino previsto para 2027. Sua entrada em operação está prevista para 2029.

Segundo especialistas, o reator nuclear está ainda em fase muito embrionária de desenvolvimento. Pelas dimensões continentais, o Brasil deveria ter pelo menos 30 submarinos, mas tem apenas cinco, convencionais.

No entanto, a "Marinha tem consciência dos obstáculos tecnológicos que surgirão e terão que ser vencidos em função da situação econômica do País. O cronograma passa constantemente por criteriosa análise de forma a se adequar ao orçamento disponível e refletir as perspectivas futuras da economia e a necessidade de vencer os diversos obstáculos que estão por vir."



Rede Brasil Atual
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

Poste aqui o seu comentário:

0 comments:

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;