Em texto, Cardoso se revela também um entusiasta da (pseudo) reforma da Previdência / Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Cardoso quer que os brasileiros sigam o seu receituário de redução do Estado

Em artigo com o título “ainda há razões para sonhar”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixa claro em alguns jornais conservadores o que ele deseja para o Brasil. Não há mais dúvidas sobre isso, pois Cardoso quer de todas as formas que os brasileiros sigam o seu receituário de redução do Estado e a entrega do que ainda resta das riquezas por aqui.

Ele ainda por cima zomba dos brasileiros que não se deixam iludir por ideias visando reduzir o país a um mero entreposto para que grupos econômicos internacionais se apossem das riquezas, ao afirmar “que não podemos é cruzar os braços e desanimar”.

Cardoso quer de todas as formas que o Brasil complete o serviço dos seus dois mandatos presidenciais e chega a afirmar, logo no início de sua reflexão, que “com dificuldades e tropeços o País está encaminhando seus problemas”.

E na sua estratégia de enganar os incautos, indaga que “quem imaginaria a um ano que cogitaríamos de a inflação atingir em 2017 o centro da meta, isto é, 4,5% ao ano, ou menos ainda? E assim vai para a sua maneira dar um crédito de confiança ao governo golpista Michel Temer.

O ex-presidente, que continua ostentando o titulo de “príncipe” dos sociólogos, prefere ignorar a premissa segundo a qual a inflação caiu porque o consumo se reduziu. Nem é preciso ser um conhecedor profundo da ciência econômica para essa observação, que é óbvia.

Cardoso se revela também um entusiasta da (pseudo) reforma da Previdência, que ele acha estar “sendo discutida a sério” e que por sinal vem sendo apresentada diariamente pela Rede Globo para também enganar os incautos e de certa forma chantagear na base da afirmação que se não for aprovada em futuro próximo a Previdência vai quebrar e não terá condições de arcar com os seus compromissos até de pagar aos aposentados.

Mas Cardoso continuou apresentando o seu sonho defendendo a volta do regime de concessão, de favorecimento às multinacionais petrolíferas, na exploração das riquezas do pré sal. É a pauta defendida por unhas e dentes pelo seu correligionário José Serra, hoje prestando serviços à Chevron e outras empresas do ramo e servindo ao governo golpista como Ministro do Exterior.

Esse é o pensamento da entrega defendido por FHC, que prossegue no seu artigo largamente difundido enaltecendo a reforma trabalhista proposta pelo usurpador Temer, que na prática repete o que Cardoso nunca escondeu o que deseja, ou seja, acabar com o que resta da Era Vargas.

O ex-presidente não deixa também de dar estocada no Partido dos Trabalhadores repetindo o receituário da mídia comercial conservadora.

Mas FHC e a mídia comercial conservadora preferem ignorar um fato importante que continuará silenciado pelos referidos meios de comunicação e é de alta importância para toda a América Latina. Na Bolívia foi inaugurada a Academia Militar Anti-imperialista General Juan José Torres, um oficial nacionalista que deve servir de exemplo para todos os militares que defendem seus países da cobiça e ação externa dos defensores do capital internacional, sobretudo estadunidense.

Essa Academia Militar Anti-imperialista é também uma resposta à Escola das Américas, que abrigou durante muito tempo assassinos como os ditadores argentino Rafael Videla, o chileno Augusto Pinochet e outros oficiais militares que desenvolveram os ensinamentos aprendidos na Escola localizada no Panamá e que mais tarde mudou de nome e de local: fica hoje no Fort Benning, no Estado norte-americano da Georgia e com a denominação Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança.

O Globo, que abriga em suas páginas o pensamento de Cardoso, por exemplo, ignora a resposta ao tal Instituto localizado na Geórgia, preferindo apenas formular autocrítica por ter apoiado o golpe de 64, mas na prática continuando o que fez durante os anos todos da vigência da longa noite escura que atravessou o Brasil durante 21 anos.

A prova de que a autocrítica foi apenas, como diz o dito popular, para inglês ver, pois na prática o impresso com o mesmo nome empenhou-se ao extremo em defesa de um novo tipo de golpe de 2016, em moldes distintos de abril de 64, e de cunho parlamentar, midiático e judicial. E que está levando o país a um retrocesso de grandes proporções.

Quem sabe em 50 anos, ou seja, em 2066, as Organizações Globo farão nova autocrítica pelo apoio irrestrito dado ao golpe de 2016?

Nomeação de golpista

Em tempo: segundo o jornalão O Estado de S. Paulo, o golpista usurpador Michel Temer está indicando para o Supremo Tribunal Federal o filiado ao PSDB, Alexandre de Moraes, para o lugar do falecido Ministro Teori Zavascki.

Os analistas de sempre, em sua maioria áulicos do governo ilegítimo garantiam que o nomeado por Temer não seria filiado a partido algum.

Moraes foi Secretário de Segurança de São Paulo e aprontou geral contra estudantes que se manifestavam contra ações nefastas do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Agora, Moraes ascende para integrar a instância máxima da Justiça brasileira, a se confirmar a notícia adiantada peloEstadão.

Podem estar certo de uma coisa, Moraes não vai contrariar os interesses do PSDB e fará o possível e o impossível para livrar a cara de políticos dessa agremiação apontados nas delações premiadas dos 77 ex-executivos da Odebrecht.

Em suma: assim caminha este governo golpista, portanto ilegítimo e usurpador, defendido por FHC e sua patota.

* Mário Augusto Jakobskindi é jornalista, integra o Conselho Editorial doBrasil de Fato no Rio de Janeiro, escritor, autor, entre outros livros de Parla - As entrevistas que ainda não foram feitas; Cuba, apesar do Bloqueio; Líbia - Barrados na Fronteira e Iugoslávia - Laboratório de uma nova ordem mundial.

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