Militantes por moradia acampados na Paulista. Foto: Mídia NINJA

Milhares de pessoas ocupam avenidas de São Paulo em uníssono: a luta por moradia e o condições menos desiguais para o Programa Minha Casa, Minha Vida.


São 4h da tarde de quarta-feira, 15 de fevereiro. Milhares de pessoas chegam em conjunto em dois importantes pontos da capital paulista: o Largo da Batata, em Pinheiros, e a Praça da República, no centro. Sob bandeiras do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e muito canto (muito mesmo), diferentes feições e idades se somam em um único movimento: a luta por moradia digna e acessível para todos.

Os atos foram organizados pouco mais de uma semana após o Governo Federal anunciar mudanças nas faixas salariais dos beneficiários do Programa Minha Casa Minha Vida. Os cerca de 30 mil manifestantes, segundo informou a organização, se uniram para dar uma resposta ao novo cenário, no qual 70% das 600 mil vagas do programa foram destinadas à classe média, com renda de 4 a 9 mil reais por mês. Dessa forma, deixou de atender a faixa 1 de famílias que possuem uma renda mensal de R$ 1.800,00.

“É um absurdo quem tem mais dinheiro ter mais direitos. Os mais pobres também precisam de moradia. Nós sofremos com os aluguéis, com as altas contas. Não faz sentido isso. Por isso estamos aqui hoje, e não vamos sair”, afirmaram Rosilene e Eliana, ambas de 42 anos da Ocupação Copa do Povo.

Av. Faria Lima tomada por manifestantes. Foto: Mídia NINJA

Manifestantes que se concetraram na praça da República sobem a rua da Consolação. Foto: Jorge Ferreira / Mídia NINJA



Os grupos marcharam por importantes vias da cidade, como avenida Rebouças e rua Consolação, e se encontraram na Avenida Paulista, mais especificamente em frente ao Escritório da Presidência da República, próximo ao metrô Consolação.

Momento em que os atos que saíram do Largo da Batata e da praça da República encontram-se na Paulista com a Consolação. Foto: FlyingNinja | MiranteLab

Atos chegam ao escritório da Presidência da República, na Av. Paulista. Foto: Mídia NINJA



A negociação com representantes da presidência aconteceu na presença do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, da vereadora Sâmia Bonfim (PSOL) e dos deputados estaduais Rillo e Turco, ambos do PT. Apesar disso, não houve avanço na conversa e a população reagiu.

Assim que as marchas saíram de seus locais de concentração, um efetivo de mais de 40 policiais da Tropa de Choque se posicionou em frente ao Gabinete da Presidência. Foto: Mídia NINJA

Militantes do MTST acompanham a fala de Guilherme Boulos. Foto: Jorge Ferreira / Mídia NINJA


O recado foi claro: só deixarão o local quando o governo aceitar as reivindicações do Movimento e discutir a questão do acesso das famílias com menor renda ao Programa Minha Casa Minha Vida. "Ou a gente sai daqui com resposta e solução ou vamos ficar e morar aqui. Quem diria que um dia moraríamos na Paulista: se os governantes não vierem, vamos ter esse novo endereço”, afirmou Guilherme Boulos.

Em assembleia, os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto decidiram permanecer no “novo endereço” em acampamento.

Em entrevista à Mídia NINJA, Boulos reforça: "primeiro, nosso acampamento é um polo de resistência na luta por moradia, mas não só, é uma luta também do Fora Temer. Então, aqueles que quiserem trazer sua barraca e vir acampar conosco, aqueles que puderem doar alimentos, nós montamos uma cozinha coletiva aqui, tem alimento pra hoje e para amanhã cedo, o acampamento vai ficar por tempo indeterminado, e quem puder chegar com uma doação de alimento aqui vai ser muito importante".

Aveninda Paulista ocupada pelo MTST no início da noite. Foto: Mídia NINJA

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Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

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