O presidente dos EUA, Donald Trump, mostra assinatura de duas ordens executivas nesta terça-feira. 




AMANDA MARS 
REUTERS
Nova York / Washington


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja assinar nesta quarta-feira uma ordem executiva para promover a construção de um prometido muro na fronteira com o México com o objetivo de frear a entrada irregular de imigrantes, um dos seus grandes e controversos compromissos de sua campanha. A medida foi antecipada na noite desta terça-feira em vários meios de comunicação locais e o próprio Trump a mencionou depois em sua conta de Twitter: "Amanhã está previsto que seja um grande dia para a segurança nacional. Entre outras coisas, construiremos o muro!", disse em sua mensagem.


"Construa o muro, construa o muro...!", converteu-se em um dos cânticos favoritos nos comícios de Trump, nos quais ele animava seus seguidores assegurando: "E México pagará!". O muro e os ataques aos mexicanos são o centro da campanha trumpista desde quando o empresário nova-iorquino lançou sua candidatura à Casa Branca. Na ocasião, ele disse que os imigrantes sem documentos procedentes do país vizinho eram "estupradores" e afirmou que o México assumiria os custos da infraestrutura. Passadas as eleições, a equipe do novo presidente admitiu que o investimento seria assumido, em um primeiro momento, pelos contribuintes norte-americanos, com a meta de que depois sejam os mexicanos que paguem pelo muro.

A fronteira entre os EUA e o México tem mais de 3.200 quilômetros dos quais, atualmente, só 1.000 quilômetros estão murados. Um relatório oficial de 2009estimou em 3,9 milhões de dólares o custo médio por milha (1,6 quilômetros) de muro. Ainda nas primárias, Trump ameaçou sequestrar as remessas dos imigrantes mexicanos se o Governo do México não aceitasse pagar pelo muro.

A relação entre EUA e México está entrando em um terreno acidentado na era Trump, já que o novo presidente não só mostrou mão de ferro contra a imigração ou fez comentários ofensivos, mas também prometeu novos impostos e tributos para as companhias que transladem sua produção a território mexicano em detrimento da fabricação nos Estados Unidos. De fato, ele quer revisar o Tratado Atlântico de livre comércio com México e Canadá (Nafta, por suas siglas em inglês).

O primeiro passo na direção de concretizar a polêmica promessa eleitoral acontece no sexto dia de presidência de Trump e na mesma semana em que o ministro de Relações Exteriores mexicano, Luis Videgaray (artífice de uma incendiaria visita de Trump ao México em plena campanha), prevê visitar Washington. O presidente norte-americano receberá o mandatário mexicano, Enrique Peña Neto, no dia 31 na Casa Branca.

Veto aos refugiados e trava à imigração


O republicano também prevê assinar nesta quarta-feira várias ordens executivas que restringirão a imigração procedente da Síria e outros seis países do Oriente Médio e da África, de acordo com informação publicada nesta terça-feira pela agência Reuters, que citou especialistas na matéria que foram informados da iniciativa. Tal como o republicano prometeu na campanha eleitoral, o novo Governo também freará de pronto a chegada de refugiados. Em concreto, firmará um decreto para evitar temporariamente a chegada de refugiados e um outro para negar vistos a cidadãos do Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen, segundo informaram as mesmas fontes sob condição de anonimato.

A mão de ferro com a imigração foi um dos grandes lemas da campanhatrumpista, tanto no referente aos estrangeiros que chegam aos Estados Unidos buscando melhores oportunidades de trabalho na economia mais rica do planeta como em relação aos que estão fugindo de guerras.

Se em sua primeira declaração como candidato ele acusou os mexicanos que cruzaram a fronteira de serem “estupradores”, mais adiante propôs a possibilidade de proibir a entrada de muçulmanos como medida de proteção ante o terrorismo islâmico. O veto a uma religião é contrário à Constituição norte-americana, mas a Administração Trump se esquiva deste problema assinalando que a regra valerá para países concretos que considerem uma ameaça.

As restrições a respeito de refugiados que estão agora sobre a mesa incluirão, provavelmente, a proibição da entrada de refugiados durante vários meses, até que o departamento de Segurança Interior possa levar a cabo um processo de veto mais rigoroso, segundo a Reuters.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou que o departamento de Segurança Interior começará a trabalhar no processo de veto uma vez que o secretário de Estado, Rex Tillerson, já esteja instalado no cargo. Outras medidas podem incluir instar às agências implicadas a aperfeiçoar seus sistemas de identificação biométrica para os estrangeiros sem cidadania americana e que entrem ou saiam do país, além de estabelecer castigos severos para os imigrantes que usarem as ajudas públicas.ARQUIVADO EM:


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