"Temer, como todos os temerosos, tem uma atração fatal por falas temerárias. A declaração à Reuters de que é 'zero' a possibilidade de seu governo vir a ser desestabilizado pela Operação Lava Jato não tranquiliza nem a Marcela. Embora emudecida por ordem do marido, ela deve saber, como todo mundo no Brasil, que o segundo tempo da Lava Jato vai começar agora, com a homologação da delação premiada da Odebrecht e a nova delação da Camargo Corrêa, em fase de negociação, que envolverá 40 executivos", escreve Tereza Cruvinel; "É obvio que o 'núcleo duro' do PMDB de Temer será alcançado. Em que medida, nem Sergio Moro sabe", destaca; para ela, "dizer que as chances de uma desestabilização do governo pela Lava Jato é zero, como fez Temer, é zombar da inteligência nacional"




Temer, como todos os temerosos, tem uma atração fatal por falas temerárias. A declaração à Reuters de que é “zero” a possibilidade de seu governo vir a ser desestabilizado pela Operação Lava Jato não tranquiliza nem a Marcela. Embora emudecida por ordem do marido, ela deve saber, como todo mundo no Brasil, que o segundo tempo da Lava Jato vai começar agora, com a homologação da delação premiada da Odebrecht e a nova delação da Camargo Corrêa, em fase de negociação, que envolverá 40 executivos. Mais de 200 políticos vão ser atingidos e alguns deles vão buscar também acordos de delação. É obvio que o “núcleo duro” do PMDB de Temer será alcançado. Em que medida, nem Sergio Moro sabe. Mas Temer, com uma certeza granítica que pode ter mexido com os brios e a fé justiceira do procurador Dallagnol, afirmou: “Não temos preocupação. Não há a menor possibilidade disso”.

Nem Moro poderia estimar hoje, numa escala de zero a dez, quais são as chances de uma desestabilização do governo Temer pela Lava Jato, que está num momento de inflexão e diante de fatos inevitáveis e também imponderáveis, como as novas delações. Mas dizer que a chance disso acontecer é zero, como fez Temer, é zombar da inteligência nacional. As chances de o governo levar um tiro da Lava Jato e ir ao chão seriam zero se Eduardo Cunha não estivesse preso e disposto a abrir o bico; se a Odebrecht e a Camargo Corrêa nada tivessem a dizer sobre suas relações com o PMDB, partido que era presidido por Temer até bem recentemente; se a base governista que proporciona ao governo seu trunfo parlamentar, na ausência de resultados econômicos e na presença do desastre social, não constituísse o grosso da lista de políticos favorecidos pelas empreiteiras. E, por fim, se Temer já não tivesse sido também citado por Claudio Mello filho, da Odebrecht, pelos R$ 10 milhões que pediu a Marcelo Odebrecht, e foram entregues a Padilha e a seu homem do peito, José Yunes, bem como por aquele outro acerto no bojo do petrolão, mediado por Eduardo Cunha, em seu escritório paulista.

Zerão, não, Temer. Pega mal. Se é para tranquilizar o mercado, que sabe fazer contas, use a retórica da hipocrisia, mas evite os números.

Brasil 24/7
Axact

Ronaldo

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