Medo

Publicado no Tijolaço.

POR FERNANDO BRITO



Avolumam-se as informações de que Michel Temer terá presença marcante na delação de Marcelo Odebrecht e na de alguns diretores que se sentem ainda ligados ao antigo e deposto chefe da empreiteira.

É coerente com a misteriosa nota publicada por Lauro Jardim sobre o rompimento entre Marcelo e o pai, Emílio, a mãe, Regina e os irmãos.

Marcelo, que não tinha ilusões do que o aguardava com Sérgio Moro, preferia aguardar a ida de seu caso a tribunais superiores, aos quais irá agora como confesso.

O clã achou melhor perder muitos anéis e conservar os dedos, iniciando um processo de alienação da empresa.

Marcelo Odebrecht, porém, o único que purgou cadeia – e 19 meses, não é pouco – entendeu que o que se queria dele – denúncias contra Dilma e Lula – manteria o caso exclusivamente nas mãos de Moro.

E resolveu atirar mais em cima, em Temer e seus ministros.

Não quer sair de “big boss” de um esquema de décadas, que herdou na empresa.

Cármem Lúcia, agora senhora dos conteúdos das delações de Marcelo e dos outros diretores que seguiram sua orientação, viu a possibilidade de, homologando antes da redistribuição do caso, virar o jogo sobre Temer que, via Gilmar Mendes, pretendia tornar-se “dono” do STF com a indicação do novo ministro.

Especulações?

Em 48 horas vamos saber.



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