Quase trinta anos atrás, “muro ” era o de Berlim.

Que separava uma sociedade onde se tinha o básico de outra, onde se tinha a abundância.

Caiu.

É próprio da natureza humana quer mais e não se conformar com o mínimo.

Trinta anos depois, quase, outro muro simboliza os dois mundos.

Como sempre, do outro lado, o jardim do Éden, o maná, a abundância.

Desta vez, do lado de cá, nem mesmo o mínimo.

A demolição do Muro de Berlim foi o final da existência do “bloco soviético” e da própria bipolaridade mundial formada desde o final da 2a. Guerra Mundial com a URSS.

Os mais velhos talvez se lembrem da expressão “Cortina de Ferro” com que se designava essa separação.

Não que não existissem muros, grades e telas nas fronteiras com o México.

Já existem, muitos e há muito tempo.

Por elas, as mercadorias podiam passar livremente e as pessoas, apenas clandestinamente.

Agora, quem estende a cortina de ferro são os Estados Unidos.

Os muros e as cercas estão longe de serem exceções, mas regra na história humana.

Tanto quanto o Muro de Berlim, o de Trump cairá.

Mas não em breve.

Porque pior que eles são elites coyotes, que têm como projeto de país o sermos capazes de rastejar por debaixo das cercas e, sabujamente, sermos aceitos num cantinho, dóceis com os outros e ferozes com nossos iguais.

As barreiras e segregações que os muros representam são anteriores e superiores a eles, que sempre podem ser burlados ou pulados, enquanto elas, não, porque se introjetam nos seres humanos.

Daí, um efeito reverso.

Os muros, talvez, sejam os maiores adversários da divisão que pretendem fazer, porque lhes dão concretude, visibilidade, tornam-nas palpáveis e odiosas.

Tanto quanto é da história erguê-los, é da natureza humana derrubá-los.

TIJOLAÇO
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

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