Ele foi condenado por crimes cometidos durante a ditadura militar, entre 1976 e 1983



O ex-presidente argentino Reynaldo Benito Antonio Bignone Ramayón é preso em 10 de janeiro de 1984 pelos crimes cometidos durante a ditadura, entre 1976 e 1983. O ex-militar foi presidente de seu país de 1º de julho de 1982 a 10 de dezembro de 1983.


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Bignone tornou-se presidente da Argentina depois da saída de Leopoldo Galtieri, em decorrência da derrota do país para o Reino Unido na Guerra das Malvinas. Seu governo teve curta duração. Sem ter a guerra para desviar o crescente descontetamento popular, os fatos demonstravam que o retorno à democracia era inevitável.

Todavia, Bignone tentou condicionar o fim da ditadura à limitação das investigações de violações de direitos humanos durante o regime militar de 1976 a 1983 e da chamada "Guerra Suja". Esta proposta foi rechaçada pelos partidos políticos argentinos e a investigação e o julgamento dos militares começaram já no governo de Raul Alfonsin, em 1983.

Em 1999, depois de reaberto o julgamento dos casos de sequestro e adoção ilegal de filhos de presos políticos, Bignone foi novamente enviado a julgamento. Em março de 2007 ele foi preso e posto sob custódia numa base militar fora de Buenos Aires, como resultado da investigação das violações de direitos humanos.

Em 21 de abril de 2010, o ex-ditador foi condenado a 25 anos de prisão em cela comum por um tribunal de seu país por crimes de lesa humanidade, de privação ilegal de liberdade e de aplicação de torturas a prisioneiros políticos, entre outros delitos cometidos no Campo de Mayo, principal centro clandestino de detenção do regime militar.

O Tribunal Oral Federal Nº1 de San Martin considerou provado que Bignone foi coautor penalmente responsável de 56 casos de sequestro ilegal, roubo com agravante, privação ilegítima de liberdade e imposição de torturas cometidas no centro de extermínio que funcionou no complexo militar do Campo de Mayo.

Numa resolução aplaudida por familiares de vítimas da ditadura que presenciaram o veredicto, o Tribunal ordenou ademais a revogação da prisão domiciliar de que gozava Bignone, a fim de ser levado agora a um cárcere comum.

Bignone, de 82 anos, havia feito mais cedo um depoimento sua defesa: “Foi uma guerra. A realidade é que existiam organizações clandestinas terroristas. Seus dirigentes não eram demasiado jovens nem idealistas. Seu ideal era a tomada do poder pela força subversiva. Tinham combatentes, táticas, fabricavam bombas. Matavam indiscriminadamente e a traição. Assaltavam e mudavam de identidade.”

Além do mais, Bignone questionou a quantidade de desaparecidos durante a ditadura: “Martela-se que há 30 mil desaparecidos. Jamais se mostrou a veracidade desta cifra. Não nego que o desaparecimento de pessoas seja delito em tempos de paz, mas em tempos de guerra tem outra classificação. Nunca se demonstrou que em 10 anos de guerra foram mais de 8 mil. Embaralha-se o número de bebês desaparecidos. Isto redunda em algo sensível e impactante. Em nenhum desses desaparecimentos figura o poder militar. Em todos os casos são ditos por terceiros".

"Nos acusam de genocidas e repressores. O de genocida não resiste a menor análise. O que ocorreu em nosso país não se adapta, sequer minimamente, ao conceito internacional de genocídio”, afirmou.


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