Ao contrário de Moreira Franco, cuja a abjeção permitiu dizer ao colunista Jorge Bastos Moreno, antes mesmo da retirada do corpo de Teori Zavaski do mar, que Michel Temer ia escolher logo o seu substituto no Supremo, o ocupante do Palácio do Planalto não deve falar sobre isso até que terminem as cerimônias fúnebres do ministro morto.

Mas não muito.

Porque há uma situação, a partir de segunda-feira, que se poderia definir como “quem saca mais rápido” entre ele e Cármem Lúcia para decidir quem ficará com a relatoria da Lava Jato e como controle do detonador das delações da Odebrecht.

Carmem Lúcia tem de encontrar apoio interno para uma decisão de redistribuição imediata do caso entre os atuais ministros da Corte, antes que Temer torne pública a sua indicação para a cadeira que pertencia a Teori.

Se o fizer depois, sua atitude será lida como não apenas como o um capitis diminutio (expressão que os juristas usam quando se quer retirar a autoridade ou a importância de alguém) ao futuro colega, mas uma manifestação pública de desconfiança no indicado presidencial.

Temer, porém, também tem problemas para executar seu movimento, muito além do decoro de esperar o luto correspondente.

Como se vê na “nota de pesar” do ex-líder de Temer no Senado no Facebook, vai ser preciso dar garantias ao grupo de senadores – e o grupo é grande – envolvido na Lava Jato de que o novo ministro será “camarada”. Nem tanto porque eles possam cometer a ousadia de recusar o nome – o que não ocorrerá – mas de fazer um processo que deixe sequelas e ameace os 3/5 que Temer precisa na casa para seus projetos.

Há um lobby para sustentar uma “queda para cima” do atrapalhado e autoritário ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que ainda agradaria o PSDB e o descontente Geraldo Alckmin. E ainda completaria a obscura simbiose entre Polícia e Justiça.

Mas a crise penitenciária parece, por ora, ter eliminado essa possibilidade, por ter exposto a incapacidade e a ferocidade do cidadão.

Em condições normais de temperatura e pressão, estaria fora. O problema é que as condições de temperatura e pressão no Brasil estão longe, muito longe, da normalidade.

Sendo assim, é provável que Gilmar Mendes, a esta hora, já esteja desembarcando no Brasil, vindo de suas férias com direito a carona no Haagens Air presidencial, para não deixar – ou dificultar – uma ação rápida de Cármem Lúcia.

A Praça dos Três Poderes, nestes tempos de abertura do país, bem poderia passar a se chamar OK Corral, aquele de Tombstone, dos velhos filmes de faroeste.



TIJOLAÇO
Axact

Ronaldo

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