Jornal GGN – Ao pedir que não deixemos que os vazamentos ou Lava Jato paralisem o país, Michel Temer esqueceu de que só estamos paralisados porque o país se move veloz para trás e para baixo. Os vazamentos arrefeceram bastante, já que sua função primordial era cumprir um papel sujo no afastamento de Dilma. Quem o alerta é Janio de Freitas, em sua coluna de hoje na Folha, falando sobre o cenário atual. E ele é contundente: o país desmorona porque em sete meses o governo Temer não produziu uma só medida em contrário.

E Janio vai em cima do governo com o pacote anunciado, que é tão farsesco quanto o pacote da Previdência. E nenhuma medida salva este governo, pois não sabem sua função, mas que entendem (o governo) que o que os atrapalha é o fator vazamento, algo “ilegítimo” e cobrado do PGR para que resolva.

Janot até se adiantou para dizer que estava investigando, daí vem Gilmar Mendes e, ao contrário do que dizia de certos vazamentos contra Lula e Dilma, que o vazamento é criminoso. E o teatro não termina. Da Alemanha, onde foi escrachado em uma palestra sobre a Mani Pulitti brasileira, Sergio Moro fala dos vazamentos, avisando que atinge a todos, e não somente o PT, coisa séria.

Mas e aí? Quantos nomes do PSDB já foram citados em delações em dois anos e continuam sem uma investigação? Mas o que vale é que Moro e promotores perderam o controle das delações e a de Leo Pinheiro, da OAS, que vem por aí, pode ser o canto da sereia. Leia a coluna a seguir.

da Folha
Gente do governo
por Janio de Freitas


"Não podemos deixar que isso paralise o país" –eis uma frase interessante de Michel Temer. Não por ser contra os "vazamentos". Ou Lava Jato, isso não ficou claro. O país só não está paralisado porque se move, veloz, para trás e para baixo.

E, nos últimos sete meses, não "por interferência" da Lava Jato ou dos "vazamentos", arrefecidos desde que cumprido o seu papel no afastamento de Dilma.

Nem se pode dizer que haja crise política, propriamente, com a Câmara e o Senado em seus estados habituais, e os novos "vazamentos" produzindo efeitos pessoais, não parlamentares ou partidários. O país desmorona porque em sete meses o governo Temer não produziu uma só medida em contrário.

Fruto da reunião de apavorados, convocada por Temer no fim de semana, o pacote anunciado para esta quinta-feira (15) é uma farsa. Sua finalidade é criar "manchetes positivas". Feito às carreiras por pressão ansiosa de Temer sobre Henrique Meirelles, repete a leviandade na divulgação do projeto da Previdência, depois de queixas paulistas no encontro de Temer com o Conselhão privado.

Na agenda de Eliseu Padilha, esse projeto estaria pronto no próximo ano. Incapaz para o governo, Temer só se ocupa do seu interesse. Não estamos distantes da simples vigarice administrativa.

Temer considerou que os novos "vazamentos", além do mais, "são ilegítimos", reclamando ao procurador-geral que acelere os processos. Por conta própria, Rodrigo Janot já informara de uma investigação a respeito.

Gilmar Mendes, claro, atacou logo de "criminosos", para fundamentar sua ideia de que as respectivas delações sejam invalidadas. Nada disso lhes ocorreu quando os ocupantes de manchetes eram outros, e não as eminências peessedebistas e peemedebistas que circundam a superestrela do "vazamento" (não é qualquer um que pode ser acusado de negociar suborno nos luxos recônditos de um palácio, e não em mesa visível de restaurante).

Na Alemanha, Sergio Moro deu ênfase às menções, nos "vazamentos", a políticos do PMDB, do PP e do PSDB como negação de seletividade facciosa da Lava Jato. Menos internacional, aqui o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, voltou ao mesmo argumento. Beiram, porém, a apropriação indébita.

Geraldo Alckmim, José Serra, Geddel Vieira Lima, José Agripino e outros do time só apareceram porque citados espontaneamente em delações preliminares do pessoal da Odebrecht. Por dois anos e meio, a Lava Jato deixava passar quando citado um daqueles nomes. Referências à corrupção na Petrobras do governo FHC estão há dois anos em vã gravação na Lava Jato.

O que se passou agora está bem perceptivo: os procuradores da Lava Jato e Sergio Moro perderam o controle das delações. Vêm daí os nomes inovadores e, ao menos em parte, o problema para a delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. Também ele não cede a sugestões.

UM BRAVO

Todos os que sentimos parte essencial de nossas vidas roubada pela ditadura, temos impagável dívida de gratidão por dom Paulo.

Tive a sorte de fazer-lhe em pessoa reconhecimento da minha dívida. Em frente a Octavio Frias de Oliveira, que me chamara para descer com os dois, e já na calçada, dom Paulo apenas me disse, suave: "Coragem".

GGN
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

Poste aqui o seu comentário: