Eles

Um dos mantras abjetos de Michel Temer tem sido sua elegia da impopularidade. Segundo a ultima pesquisa Vox Populi, encomendada pela CUT, seu índice de aprovação caiu a 8%, um recorde histórico.

Nizan Guanaes, numa reunião no Planalto do tal Conselhão, sugeriu que ele aproveitasse esse detalhe para tomar “medidas amargas” (não para Nizan e seus pares, naturalmente).


“Ninguém faz coisas contundentes com alta popularidade”, afirmou o publicitário, num discurso passivo agressivo maluco em que só faltou chamar MT de — perdoe meu francês — bosta.

Michel, como um pato pateta, repete essa ladainha. “Estou aproveitando a suposta impopularidade para tomar medidas impopulares”, falou no mesmo dia em que anunciou que, infelizmente, não vai renunciar.

Essa inversão da lógica de uma democracia não vai salvá-lo porque, fora tudo, Temer não tem projeto nem para atender seus sócios. É um governo de desmonte das gestões anteriores e de salvação de seus próprios membros da cadeia.

O símbolo do descompasso de Michel com as ruas é que o único lugar onde ele é reconhecido é no lupanar da Câmara dos Deputados.

Segundo o Estadão Dados, Temer termina o ano com “a maior taxa de governismo já registrada na história recente” do local.

A adesão ao governo “é praticamente unânime na base aliada”, somos informados. “O PMDB, por exemplo, que tem a maior bancada da Casa, registra uma taxa de apoio a Temer de 97% – a mesma do PSDB, que tem o terceiro maior número de deputados.”

De acordo com Ivan Fernandes, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC), a “alta coesão e governismo dos partidos corroboram a tese de que nosso sistema de governo é muito mais parecido com o parlamentarismo do que se imagina”.

Temer é popularíssimo no seio do que alguém chamou de sindicato de ladrões.

Na época do impeachment, dos 513 deputados federais inscritos para a votação que decidiu sobre a abertura do processo, 298 haviam sido condenados ou respondiam a processos na Justiça ou em Tribunais de Contas, dizia levantamento da ONG Transparência Brasil. Destes, 23 são investigados na Lava Jato.

O fato de MT ser querido entre vagabundos engravatados dá uma outra perspectiva sobre a crítica à inabilidade de Dilma em tratar com essa gente fina.

Michel foi vendido como o oposto de Dilma: um grande articulador, um Richelieu, animal político etc etc.

O que se viu, quando ele saiu do escuro, foi um anão acostumado a agir nas sombras em favor de sua turma, o que inclui mandar seu advogado receber malas de dinheiro vivo no escritório ou pressionar ministros para liberar prédios com apartamentos de outros ministros.

Michel, com sua falta de carisma e de pescoço, suas platitudes, sua agenda sem agenda, incorpora a contradição do sistema. A única maneira de diminuir o abismo entre a vontade das ruas e a do Congresso é a convocação de eleições diretas em 2017.



Diário do Centro do Mundo
Axact

Ronaldo

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