Ao delinear prioridades para seus primeiros dias no governo, presidente eleito afirma que Tratado Transpacífico, um dos legados de Obama, representa desastre potencial para o país.



O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (21/11) que vai retirar o país do Tratado Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) já em seu primeiro dia no novo cargo.

O anúncio, que vai contra todos os esforços do governo de Barack Obama em estreitar laços comerciais com o Japão e mais outros dez países, é apenas um de seis pontos em que o magnata prometeu ação executiva imediata – que não necessita aprovação do Congresso.

Entre as outras medidas, também está uma revisão de "programas de vistos que prejudicam as oportunidades dos trabalhadores americanos" – em mais um sinal de que Trump já se move para estreitar as normas de imigração nos EUA.

"No comércio, emitirei uma notificação sobre nossa intenção de sair do Tratado Transpacífico, um desastre potencial para o nosso país”, anunciou Trump em um vídeo de dois minutos e meio sobre seus planos já para o primeiro dia no cargo, em 20 de janeiro.

"Em vez disso, negociaremos acordos comerciais bilaterais justos que tragam empregos e a indústria de volta ao solo americano", prometeu. Em troca, o republicano acrescentou que impulsionará tratados bilaterais que permitam gerar empregos que eventualmente perdidos por acordos comerciais passados.

As palavras de Trump, cuja campanha aproveitou o rancor da classe trabalhadora americana que se diz marginalizada pela globalização, fazem parte de uma lista de prioridades do futuro presidente para os 100 primeiros dias de governo e destinada a "colocar a América em primeiro lugar”.

A oposição ao TPP, assinado em fevereiro, mas ainda sem aprovação do Congresso, foi uma das principais bandeiras de Trump durante a corrida para a Casa Branca, pois, segundo ele, o acordo prejudica a economia do país.

O tratado é considerado um acordo comercial que, entre outras razões, busca resistir à expansão comercial da China, uma das nações excluídas desta iniciativa. O TPP prevê um período de dois anos para ser ratificado pelos parlamentos dos países-membros, mas para entrar em vigor é necessário que os signatários representem, pelo menos, 85% do PIB do bloco. A retirada dos EUA desta iniciativa representa um sério tropeço para o tratado.

Outras prioridades

Além da retirada do TPP, o republicano anunciou ainda uma série de ações executivas que serão desenvolvidas "desde o primeiro dia" de seu mandato e que buscarão "restabelecer as leis e recuperar postos de trabalho".  Delas fazem parte a intenção de eliminar restrições no desenvolvimento energético, incluindo as que afetam as jazidas de camadas de xisto e as que geram "carvão limpo".

Com o intuito de reduzir a burocracia, uma das promessas de sua campanha, Trump disse que, para cada nova regulamentação aprovada, "duas terão de ser eliminadas".

No plano migratório, o republicano anunciou que uma de prioridades será pedir ao Departamento de Trabalho que "verifique todos os abusos de programas de vistos que prejudicam as oportunidades dos trabalhadores americanos".

Em matéria de segurança nacional, Trump anunciou que pedirá ao Departamento de Defesa e aos chefes militares um plano para proteger a infraestrutura dos Estados Unidos de ataques cibernéticos ou físicos. Tudo isso, segundo o próximo presidente, "para gerar riqueza e empregos".

Apesar de sua própria equipe de transição incluir diversos lobistas, Trump também prometeu "uma proibição de cinco anos para que autoridades executivas se tornem lobistas depois de deixarem o governo".

No vídeo, não houve menção sobre algumas das maiores promessas de campanha de Trump, como as ideias de construir um muro ao longo da fronteira mexicana, deportar milhões de imigrantes, restringir a imigração muçulmana e revogar a lei conhecida como "Obamacare", que reforma o sistema de saúde.

IP/ap/afp/efe

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