Os retratos de Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, feitos por Romero Brito e apreendidos pela Polícia Federal ainda não são prova de que o ex-governador empregava a, digamos, arte como forma de lavar dinheiro.

Mas são prova cabal e irretorquível do drama da devastação mental de uma camada dirigente da vida brasileira que ascendeu ao sucesso e ao poder num caldo formado por ambição, vaidade, mediocridade e egocentrismo.

Não que não haja ladrões ou imbecis de outras gerações, estão aí as mesóclises de Michel Temer a provar que o vácuo é a maior parte do Universo.

Mas a elite brasileira ainda tinha certo pudor em se mostrar assim, Era preciso ao menos afetar alguma erudição, algum bom gosto, ainda que as prateleiras de cima da estante pudessem ter dos livros apenas as lombadas, para “fazer vista”.

Agora, porém, parece que esta gente virou algo assemelhado àquele playboy que foi capa da Veja SP, de Ferrari e champagne, “agregando valor” ao nada mental.

Imagino que Garotinho e Rosinha fossem capazes disso, mas com um retratista de rua como os que ficam ali na entrada do Metrô Carioca. Cabral e Adriana, ao que parece o sucedâneo coxinha do casal campista, querem algo que o seu meio considere por terem tido dinheiro ou prestígio para obter, apenas.

É o supra-sumo do triunfo deste capitalismo colonial onde a única ideia de poder é o dinheiro e a única ideia do dinheiro é o poder.

É gente assim que se arroga no direito de pedir ao povo austeridade; aos pobres, sacrifícios;  aos velhos, renúncia…

A única pobreza que não as incomoda é sua própria pobreza mental.

Tijolaço
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

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