Denunciado nesta quarta-feira (14) por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse indignado com a situação do país e disse que terão de o enfrentar nas urnas, em referência à candidatura de 2018.
"Não tenho a vocação do Getúlio [Vargas] de me dar um tiro, nem do Jango de sair do Brasil. Se eles quiserem me tirar, vão ter que disputar comigo na rua", afirmou.
No início do discurso nesta quinta-feira (15), o ex-presidente afirmou que não iria "fazer um show de pirotecnia como fizeram ontem". "Não vou me comportar como ex-presidente da República. Não quero me comportar como um cara perseguido, como se tivesse reivindicando algum favor (…) a declaração é pura e simplesmente de um cidadão indignado com as coisas que estão acontecendo nesse país."

O petista relembrou a trajetória da legenda, que "em 20 anos de existência ganhou as eleições (presidenciais)". "Tenho orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina", afirmou.

Lula lembrou de quando ganhou o pleito em 2002, ao alcançar o "sonho de que pela primeira vez um trabalhado, metalúrgico, sem diploma, tenha ganhado democraticamente as eleições no Brasil" e conquistas sociais ao longo de seus mandatos e da ex-presidente Dilma Rousseff.

Lula criticou o processo de impeachment de sua sucessora, que chamou de "golpe tranquilo e pacifico" e a atuação dos investigadores da Lava Jato.

"Já derrubaram Dilma, já derrubaram Cunha, já elegeram Temer. Agora precisa concluir a novela, acabar com a vida política de Lula. Porque não existe outra explicação para o espetáculo de pirotecnia de ontem."
Em referência à frase "não tenho provas, mas tenho convicção", que ganhou as redes sociais após a apresentação da denúncia, o ex-presidente afirmou "eu não posso dizer qual é a convicção que eu tenho deles" e foi aplaudido pela platéia.

O petista disse ainda que "pouca gente com a vida mais publica mais fiscalizada do que a minha" e afirmou que "só ganha de mim nesse país Jesus Cristo", em referência à sua popularidade.

Lula se dispôs a prestar "quantos depoimentos forem necessários". "a gente não pode mentir nem pra Deus nem pra gente mesmo", afirmou.

'Orquestra criminosa'

O petista foi identificado como “comandante máximo do esquema de corrupção” e "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa", de acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol. Ele afirmou ainda que Lula instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina.

Lula foi denunciado por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira.
O ex-presidente estava acompanhado de aliados, como o ex-ministro da Casa Civil Jacques Wagner, o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE), a senadora Gleisi Hoffmann e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.

Antes da fala de Lula., o presidente do PT, Rui Falcão, leu a nota de repúdio aprovada pelo Diretório Nacional da leganda no final da manhã. O texto faz duras críticas à atuação do MPF e sustenta que as denúncias desta semana são uma continuação da perseguição política e do "golpe" iniciado no impeachment.

"Ao denunciar, confessadamente sem provas, o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, além de Paulo Okamoto e outros cidadãos, o chefe dos procuradores sediados em Curitiba torna cada vez mais evidente o envolvimento de seu grupo na tramóia que levou ao golpe contra a presidenta eleita democraticamente. E desmascara sua intenção cavilosa, persecutória e autoritária,de antecipar, à margem da lei, um julgamento sumário e condenatório dos que elegeu, seletivamente, como vítimas."

 Huffpost Brasil
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