Para políticos que apoiam o ex-presidente, iniciativa de Moro tem o propósito de inabilitá-lo para 2018. Eles pretendem ampliar denúncias fora do país. Advogados acusam "parcialidade do juiz"

por Hylda Cavalcanti, da RBA



RICARDO STUCKERT/ INSTITUTO LULA // Defesa de Lula afirmou que o juiz Sérgio Moro perdeu sua imparcialidade


Brasília – Deputados e senadores que apoiam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram hoje (21) que a ação do juiz federal Sérgio Moro tem como propósito inabilitar uma possível candidatura em 2018. Eles pediram que sejam ampliadas as denúncias fora do país sobre o que está acontecendo no Brasil, lembraram a falta de provas contra o ex-presidente e classificaram a ação como “desdobramento do golpe”. Declarações foram feitas em gabinetes no Congresso, nos estados, onde a maior parte dos parlamentares já se encontra, e nos plenários esvaziados da Câmara e do Senado.

É que, como a notícia do acolhimento da denúncia do Ministério Público Federal (MPF) por Moro – que transformou Lula em réu – foi divulgada depois que muitos já tinham saído do Congresso, quase no início da noite, vários deles se limitaram a manifestações por meio de notas públicas. Nesta quarta-feira, em campanhas nas suas cidades, alguns se manifestaram.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), candidata a prefeita do Rio de Janeiro, estão no Rio para participar de um comício, no fim da tarde com a presença da ex-presidenta Dilma Rousseff. Mais cedo, durante um ato, disseram que a iniciativa de Moro tem objetivo claro de inabilitar a candidatura de Lula à Presidência da República em 2018 e defenderam a importância de se intensificar as denúncias fora do país.

“O que estamos vendo é a continuidade de um golpe de Estado. Isto é muito grave. Começou com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, sem que tivesse havido crime de responsabilidade cometido por ela, e culmina agora com essa ação, que tem o objetivo de suspender os direitos políticos do Lula. Vamos para as ruas, vamos endurecer nosso discurso e denunciar ao mundo o que está acontecendo aqui”, disse Lindbergh.

Veja vídeo

https://www.facebook.com/lindbergh.farias/videos/1302269606450998/

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirmou que já esperava a iniciativa de Moro, mas acreditava que o juiz se aprofundaria mais nas investigações antes de tomar qualquer decisão. "Imaginei que ele fosse pedir ao Ministério Público Federal alguma espécie de diligência ou investigação a mais para ter provas, já que todos sabemos que a peça da denúncia oferecida pela MP é frágil. Não sou eu quem está dizendo isso, são vários juristas", lembrou.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que participa de campanhas com os candidatos a prefeito de sua base parlamentar no interior do Paraná, divulgou vídeo em rede social para classificar a denúncia contra Lula e seu acolhimento pelo juiz federal como “verdadeiro atentado à dignidade humana do ex-presidente e sua família”.

“Na realidade, aquilo não foi uma denúncia, foi um ato de condenação feito de forma cinematográfica por procuradores da Operação Lava Jato. E como se não bastasse, a denúncia foi aceita, mesmo sem provas, por meras convicções", reclamou.

Destacando que a peça costurada pelo procurador federa Deltan Dallagnol se baseia em presunção, sem provas, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirmou que se trata de tão e simplesmente inviabilizar a candidatura de Lula à Presidência da República em 2018”, ressaltou.

Na Câmara, dentre muitas declarações, um dos destaques foi o deputado Enio Veri (PT-PR), que ironizou: “Para quem defende os trabalhadores, um rigor gigantesco e injustiça; para a elite, nenhum movimento”.
'Processo sem juiz'

Os advogados de Lula e sua esposa, Marisa Letícia, Cristiano Martins e Roberto Teixeira, voltaram a denunciar o histórico de perseguição contra o ex-presidente. Em nota, afirmaram que o juiz Moro perdeu sua imparcialidade para julgar o ex-presidente e disseram que classificaram a denúncia como parte do “histórico de perseguição contra Lula”.

“Esse é um processo sem juiz enquanto agente desinteressado e garantidor dos direitos fundamentais. Em junho, em entrevista, o procurador da República Deltan Dallagnol reconheceu que ele e o juiz de Curitiba são ‘símbolos de um time’, o que é inaceitável e viola não apenas a legislação processual, mas a garantia de um processo justo, garantia essa assegurada pela Constituição Federal e pelos Tratados Internacionais que o Brasil se obrigou a cumprir”, destacaram.

Os advogados disseram, ainda, que “nem mesmo os defeitos formais da peça acusatória e a ausência de uma prova contra Lula, como amplamente reconhecido pela comunidade jurídica, impediu que o referido juiz levasse adiante o que há muito havia deixado claro que faria: impor a Lula um crime que jamais praticou”.




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