No aniversário do mestre, audiência chama atenção para os riscos que corre a educação pública

Joana Tavares

Obras de Paulo Freire, como “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa” e “Pedagogia do Oprimido” são conhecidas em todo o mundo / Reprodução


Na comemoração dos 95 anos do educador, escritor, filósofo e militante da inclusão social, o pernambucano Paulo Freire, uma audiência pública na Assembleia Legislativa reuniu dezenas de pessoas para lembrar e atualizar seu legado.

“Esse projeto ‘Escola sem Partido’ – que deveria ser chamado de ‘Lei da Mordaça’ – é uma nova tentativa de exilar Paulo Freire”, alerta o diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (SindUTE/MG) Fábio Garrido. Ele elencou os riscos por que passa a educação como um direito público tanto em Minas como no Brasil.

“Paulo Freire fez uma defesa intransigente da causa dos oprimidos. Ele chamaria atenção para as condições de trabalho dos educadores e defenderia o piso salarial dos professores”, acrescenta. Garrido explicou que a paralisação dos educadores de 48 horas, nos dias 21 e 22, se deu em defesa de uma pauta de reivindicações da categoria.

Uma das críticas é em relação ao projeto do governo estadual de passar para o regime de Parcerias Público-Privadas dezenas de escolas do Estado. “Não podemos aceitar que se privatize o direito à educação e ao pensamento crítico. A ideia de que o que é público é ruim é da burguesia, que quer privatizar e ganhar dinheiro com tudo”, reforça.

Riscos em todo o Brasil


O integrante do Fórum Político Inter-religioso Padre Henrique Moura lembrou de diversos projetos do governo não eleito Michel Temer que colocam em xeque os direitos humanos, como a Reforma da Previdência e a PEC 241, que pretende congelar os investimentos em saúde e educação por 20 anos. O deputado estadual Rogerio Correa apontou também a venda do patrimônio público, como o pré-sal e estatais, como um perigo para o futuro do Brasil.

A educadora popular Maria José da Silva, com mais de 60 anos experiência, sugeriu como presente para o Dia do Professor, em outubro, o livro de Paulo Freire “Pedagogia da Autonomia”. “Deveria ser uma Bíblia para todos que querem dar aula”, sugere.



Governo estadual quer passar escolas para iniciativa privada

Quem foi Paulo Freire


Paulo Reglus Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921 em Recife, capital do estado de Pernambuco, onde se formou em Direito. Desistiu da carreira de advogado e se tornou educador, foi professor, diretor, formulador de novos métodos, secretário municipal. Seu método para alfabetizar com qualidade e velocidade foi considerado subversivo pela ditadura militar, que o manteve preso por 72 dias. Depois, Paulo Freire se exilou no Chile, onde também trabalhou em programas de alfabetização. Morreu em São Paulo em 1997, ano em que publicou seu último livro: “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa”. Essa e outras de suas obras – como “Pedagogia do Oprimido” – são conhecidas em todo o mundo, tendo recebido o título de doutor Honoris Causa em 27 países.



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