por Kleber Mendonça Filho, no Facebook

Soube aqui no Festival de Toronto da decisão via Ministério da Cultura de não indicar Aquarius como candidato brasileiro ao Oscar.

[Nota do Viomundo: O indicado foi um filme sobre a família Schurmann]

Estou numa tarde de entrevistas e já vendo o tipo de reação que tem surgido na imprensa e redes sociais.

É bem possível que a decisão da comissão esteja em total sintonia com a realidade política do Brasil, ou seja, é coerente e já esperada.

Para além de decisões institucionais via Governo Brasileiro, Aquarius tem conquistado internacionalmente um tipo raro de prestígio, e isso inclui distribuição comercial em mais de 60 países enquanto já se aproxima dos 200 mil espectadores nos cinemas brasileiros, com um tipo de impacto popular também raro.

Mais ainda, é um filme que já faz parte da cultura e desse tempo, num ano difícil no nosso país.

No final das contas, Aquarius é um filme sobre o Brasil, que está no filme da maneira mais honesta possível.

Talvez seja exatamente esta honestidade que tenha feito de Aquarius um filme forte como agente cultural, social e produto da nossa indústria do entretenimento.

Sonia está aqui do lado, poderosa como Clara. Ela manda beijos! (Toronto, 12 Setembro 2016)





por Anna Muylaert, no Facebook

É natural imaginar que Kleber Mendonça Filho esteja agora chateado com esse golpe relativo a escolha de um outro filme para comissão do Oscar.

Imagino que esteja mesmo. Mas do meu ponto de vista o maior prejudicado não foi nem é Kleber e sua equipe e sim o cinema brasileiro.

Houve sim uma grande batalha nos últimos anos em várias esferas, Ancine — Manoel Rangel e Eduardo Valente sem falar do Cinema do Brasil — pessoas e entidades que vem lutando tanto pela qualidade do cinema brasileiro quanto por sua visibilidade no exterior.

Ora Kleber Mendonca fez um filme — goste-se ou não — importante, extremamente bem dirigido e que conquistou uma vaga na competição de Cannes — a mais difícil do mundo.

Alem disso, está tendo sucesso de publico e de critica no seu país de origem.

Escolher outro filme para representar o Brasil agora — um filme que ninguém viu — não é apenas uma derrota para Aquarius–Filme , é antes de tudo uma mudança de rumo nos paradigmas de qualidade que viemos construindo todos nós juntos há anos.

O que esperar do futuro? Que os amigos de Michel Temer sejam daqui pra frente os grandes autores do cinema brasileiro — independentemente de sua qualidade ou mesmo de sua representatividade junto ao público?

A resposta é triste e é: provavelmente sim. Com esta escolha de hoje, enterramos muito mais que um filme.

Enterramos um paradigma de qualidade e legitimidade para o cinema brasileiro.

Quando se está vivendo sob a égide de um golpe nacional, porque haveria de ser diferente com o cinema?

Saiu a versão oficial: Aquarius foi preterido porque Sônia Braga deu pedaladas fiscais.

Viomundo
Axact

Ronaldo

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