A pressão dos trabalhadores sobre as reformas de Michel Temer tem levado o governo a dar satisfações diárias aos trabalhadores. Nesta segunda-feira (19), em evento das seis principais centrais, em São Paulo, o ministro Ronaldo Nogueira disse que não vai haver retirada de direitos. Na opinião dos dirigentes, o movimento sindical deve intensificar a pressão para combater qualquer retrocesso, principalmente, se há sinais de que o governo pode decidir para o empresariado.

Por Railídia Carvalho
Railidia Carvalho // José Luiz Del Roio (de camisa azul clara e terno) e representantes da CTB, Nova Central, CSB, UGT e Força Sindical
A afirmação do ministro aconteceu durante o lançamento do livro “1º de maio: Sua Origem, Seu significado, Suas Lutas”, do ativista social e político José Luiz Del Roio, nesta segunda, no Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

E foi justamente do autor do livro, que teve sua edição original em 1986, que veio a primeira cobrança. “Senhor ministro, alguém daquela área falou de 80 horas, depois falou de 12 horas”, mencionou Del Roio na abertura do lançamento.

Del Roio se referiu às declarações do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que sugeriu, em encontro com Michel Temer, 80 horas de trabalho semanais. Depois o empresário voltou atrás e disse que, na verdade, queria dizer 60 horas. Bem diferente da reivindicação dos trabalhadores que lutam pelas 40 horas semanais. 

O próprio Ronaldo Nogueira falou em um limite de trabalho de 12 horas diárias. Depois voltou atrás.

Agenda do empresariado


O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, lembrou que o ministro tem um histórico ligado ao trabalhismo mas que cabe às centrais exigirem sua pauta com mobilização.

“Creio que nós em qualquer governo de esquerda, de direita, o que baliza o compromisso é a mobilização, por isso é importante a unidade das centrais, dos sindicatos, das categorias. Pressão, pressão, pressão na esquerda ou na direita, principalmente em um governo que, às vezes, é muito mais influenciado pelos empresários”, observou o dirigente.

Programa ultraliberal


Adilson Araújo, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) comentou a afirmação do ministro e disse que “existe no fundo uma profunda contradição neste governo“. Porém, ressalta que o viés do programa é “ultraliberal”.

“O ministro tem relações com o trabalhismo, é contra a reforma trabalhista defendida pelo governo Temer. No fundo, parte do que é dito pelo ministro colide com a predominância do governo ilegítimo”, analisou Adilson.

Na opinião do sindicalista, apesar da postura declarada pelo ministro, o governo Temer defende uma agenda contra os interesses dos trabalhadores. “A terceirização sem limites, o negociado sobre o legislado, impactos que virão através da PEC 241. O relato do ministro só mostra que vamos ter que ficar muito vigilantes e exercer pressão”, completou o presidente da CTB.

Resistência às reformas


Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, o governo Temer tem vários porta-vozes. “E isso me preocupa quando sinaliza mudança na previdência tirando direito do pobre, da mulher, quando se fala de algumas reformas trabalhistas falando que o negociado sobre o legislado tenha até a condição de existir sem o movimento sindical”, afirmou.

Ele elogiou o evento desta segunda-feira. “Mas essa atividade de hoje com todas as centrais sindicais e muitos sindicatos nos dá um alento, nos dá a possibilidade de pensar que nós vamos fazer a resistência”, ressaltou Patah.

O dirigente avisou ainda: “Não é o momento de tomar qualquer decisão, aprimorar, melhorar sem que haja um diálogo mais profundo. Neste ano, com certeza absoluta ninguém vai ser louco de colocar qualquer mudança que tire direito dos trabalhadores”, avaliou.

Questionado sobre a chance de acontecer a reforma da previdência ainda neste ano, o presidente afirmou: “Eu tenho esperança que não”.

Do Portal Vermelho
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Ronaldo

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