Por Altamiro Borges
Não há provas, mas a convicção é de que o procurador imberbe Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava-Jato, entrou pelo cano com o seu ridículo showzinho midiático da semana passada. As suas acusações levianas e bombásticas – de que o ex-presidente Lula seria o “comandante máximo” da corrupção na Petrobras – geraram críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), de renomados juristas e até mesmo de “calunistas” da mídia golpista. Seu infantil power-point virou motivo de galhofa nas redes sociais. O ódio antipetista do fanático fundamentalista Deltan Dallagnol desgastou ainda mais a já questionada e desacreditada Operação Lava-Jato.

Entre as bravatas proferidas pelo farsante, porém, uma passou quase despercebida. O procurador afirmou que o Brasil é o paraíso da corrupção no mundo. Ele até cunhou um termo midiático: “propinocracia”. Em seu arroubo retórico, ele disse que o ex-presidente Lula teria transformado o país no reino da propina. É como se a corrupção só existisse no Brasil e tivesse sido inventada pelo ex-presidente petista. Deltan Dallagnol é um “menino que adora surfe” – como ele costuma se jactar –, mas aparentemente não é imbecil. Ele sabe muito bem o desvio de recursos públicos não é um algo novo no país e que este crime vitima várias nações do planeta.

Em meados de maio deste ano, o insuspeito Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um estudo que mostra que a corrupção abocanha R$ 7 trilhões por ano em todos os países do mundo. O relatório, por motivos óbvios, não teve maior repercussão na mídia falsamente moralista do Brasil. Segundo o estudo, a corrupção é crescente no planeta e tem a participação direta de poderosas empresas e de agentes públicos. O FMI destaca a necessidade de se aprimorar os mecanismos de controle e transparência. “A urgência é global em sua natureza, porque a corrupção é um problema que afeta tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento”, afirma o relatório.

O custo anual da corrupção é estimado em até US$ 2 trilhões (R$ 6,9 trilhões) com base em cálculos atualizados em 2015, o equivalente a 2% do PIB mundial. Mas o FMI afirma que o custo econômico e social é bem maior, já que “propinas são apenas um aspecto das possíveis formas de corrupção”. Entre outros mecanismos de subtração de recursos públicos poderiam ser citados a sonegação de impostos e a remessa ilegal de dinheiro para os paraísos fiscais. Estas outras duas formas de roubo, porém, não são destaques no relatório do FMI, nem tema de investigação da mídia chapa-branca (que sonega e evade divisas) e nem motivo de arroubos retóricos do imberbe procurador da Lava-Jato.


Altamiro Borges
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