Jornal GGN - Diante das necessidades da agenda econômica para a sobrevivência de seu governo, o presidente interino Michel Temer garante ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que a sua palavra será a final. Mas, nos corredores da equipe econômica, o interino dá sinais de fazer jogo duplo, dando suporte para o ministro-chefe da Casa Civil e um de seus braços do governo, Eliseu Padilha, conter a escalada de Meirelles.

Foi nesta semana que a frase "Meirelles sempre vai ganhar qualquer discussão econômica" soou como estratégia de Temer para rebater questionamentos ou opiniões divergentes da Fazenda.

Nessa linha, já é dada como certa, por exemplo, a transferência da Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento para a Fazenda, um pedido de Meirelles para angariar maior controle sobre as finanças do país.

Enquanto que o Planejamento é responsável pela gestão orçamentária, dando limites para os gastos, a Fazenda gere as finanças por meio do Tesouro. No embate da condução de quem fica com a política fiscal, o ministro teria conseguido apoio irrestrito de Temer para seguir sua agenda.

Segundo reportagem de O Globo, o presidente interino até sinalizou a ministros, recentemente, não comprarem embates em áreas econômicas com Meirelles, a fim de evitar bolas divididas. O recado claro foi para Eliseu Padilha.

Mas paralelamente a essa demonstração de apoio total, nesta quarta (03), o Painel da Folha divulgou que o Banco Central soltou um comunicado circular informando que todas as nomeações deverão passar pela Casa Civil.


Apesar do, a priori, conflito de questionar a independência do BC, vista como uma intervenção desnecessária do Planalto na instituição de servidores de carreira, a notícia traz efeito além.

A relação entre Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, e o Banco Central, traz um enredo desde o início do governo interino. Um dia antes, por exemplo, de o BC decidir manter inalterada a taxa básica de juros, no dia 20 de julho, o ministro contrariou, afirmando que agradaria a Temer a queda dos juros.

Horas depois, o interino divulgou nota desautorizando Padilha a interferir no tema e que a autonomia era do Banco Central em decidir sobre o assunto, tendo em vista que o combate à inflação era a sua prioridade. O comunicado foi interpretado como um recado público de que o poder estava nas mãos de Meirelles.

Mas, apesar de Padilha encontrar-se aparentemente isolado na defesa da liberação de gastos, a entrada do peemedebista para a equipe do governo teve como objetivo conter a visão de que existe na gestão Temer um superministro e que este seria a Fazenda.

Em coluna de Vicente Nunes, em julho deste ano, o jornalista já adiantava: "O certo é que Padilha e Meirelles são vaidosos demais. Não há como um deles abandonar as armas na queda de braço que travam. Um problemão para a retomada da confiança. Em público, continuarão posando de excelentes amigos e parceiros de governo. Nos bastidores, porém, já avisaram: é guerra".

GGN
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