Jornal GGN - O governo do interino Michel Temer (PMDB) vive um impasse: precisa concluir o impeachment de Dilma Rousseff antes da cassação de Eduardo Cunha, pois tem medo de que o ex-presidente da Câmara se sinta abandonado e decida fazer uma delação premiada na Lava Jato. Ao mesmo tempo em que tenta criar o melhor calendário para essas ações, teme o fantasma da delação da Odebrecht, que tem potencial para desestruturar o Planalto e seus aliados.

Em entrevista à RBA, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) avaliou que o “fator Odebrecht” vai “sacudir os alicerces do aparato golpista e deverá incentivar outras delações que não deixarão ‘pedra sobre pedra’ no caminho”. Por isso, a turma de Temer, que sabe que não pode evitar esse destino, sonha em pelo menos poder adiá-lo ao máximo.

"Contam com a inestimável participação de Moro (o juiz federal Sérgio Moro) e Gilmar Mendes (ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral e integrante do colegiado do Supremo Tribunal Federal) e sabem que se der tudo errado, será possível, ainda, eleger um presidente da República, no Congresso, já em janeiro de 2017. Para tanto, a delação não poderá ser homologada antes de novembro”, afirmou Pimenta.

Hoje, a colunista Mônica Bergamo publicou que a força-tarefa da Lava Jato cria dificuldades para concluir a delação de Odebrecht. A operação não tem aceitado a versão de que os pagamentos feitos a políticos era apenas caixa 2, sem que nenhum favor tenha sido feito em troca das doações eleitorais.

Na semana passada, Moro suspendeu a investigação contra Odebrecht por cerca de 14 dias, até que a delação evolua. Ele deve reavaliar essa decisão quando vencer o prazo.

Se Temer consolidar o impeachment, ganhará imunidade processual e toda a investigação que existe contra si na Lava Jato poderá ser paralisada enquanto ele for presidente da República. Além da Lava Jato, porém, há contra Temer a ação de impugnação de mandato eletivo (AIME) que o PSDB ajuizou na Justiça Eleitoral com o intuito de derrubar Dilma Rousseff. Se o Tribunal Superior Eleitoral julgar que houve crime na campanha de 2014, a chapa poderá ser cassada e, aí, o Congresso poderá eleger um novo presidente para governar até 2018.

Por Hylda Cavalcanti

Na RBA


Deputados tentam evitar manobras depois de recado de Cunha a Temer

Numa semana que promete ser de pouca participação dos deputados em Brasília (por conta do prazo final para oficialização das coligações partidárias para as eleições municipais nos estados), os deputados que trabalham pela cassação de Eduardo Cunha iniciaram esta segunda-feira (15) interessados em chegar mais cedo à cidade para se reunir e evitar que a sessão sobre Cunha fique para o fim do ano. O motivo são as informações divulgadas no último final de semana, confirmadas em reservado por vários políticos, de que Cunha enviou nova mensagem ao presidente provisório, Michel Temer. E teria dito aos seus interlocutores que quer mais apoio, porque, caso isso não aconteça, “tem o que falar”.

A informação, que vem sendo especulada há meses, dessa vez foi confirmada por peemedebistas e um ministro do grupo de articulação política de Temer, que minimizou o fato. Disse que não considerou a mensagem como “recado” ou “ameaça”. Oficialmente, o Palácio do Planalto não tem se manifestado sobre o assunto.

Para esse ministro, “não há temor por parte do governo interino em relação a Cunha”, mas existe uma preocupação de que, como o deputado afastado sabe de informações de mais de 200 colegas que antes formavam sua base de atuação, a Câmara saia fragilizada ao final de todo o processo – o que não será bom para a busca de apoio a esses parlamentares por parte do governo de Temer.

Para se ter ideia, informações divulgadas hoje são de que Temer já recebeu 72 parlamentares em um período de 90 dias à frente do governo interino. E consiste muito mais na Câmara a busca de votos por parte desse governo às medidas de impacto fiscal que estão sendo encaminhadas ao Congresso.

Parlamentares do PT, PCdoB, Rede e Psol, que na última sexta-feira (12) anunciaram a apresentação de requerimentos para tentar antecipar a votação – marcada para 12 de agosto pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) –, trabalham agora para fazer discursos acalorados no plenário. Eles querem pedir, de hoje até quarta-feira (17), a ajuda dos movimentos sociais em manifestações das ruas, porque acreditam que serão ações integradas dentro e fora do Congresso Nacional que vão conseguir fazer com que o imbróglio envolvendo Eduardo Cunha chegue ao fim.
Quórum baixo

O dia 12 de setembro é uma segunda-feira, dia de baixo quórum. O grupo pró-cassação de Cunha trabalha para que fique definido que, se não houver parlamentares em quantidade suficiente para a realização da sessão, a próxima seja realizada, obrigatoriamente, no dia seguinte, 13, com a inclusão do mesmo tema na pauta, em vez de ser acertada uma nova data, para uma ou duas semanas depois.

Para que a cassação de Cunha seja aprovada são necessários os votos de no mínimo 257 dos 513 deputados. De acordo com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vice-líder do PT na Câmara, há um pavor entre aliados de Cunha – “Temer, Padilha, Geddel e dezenas, ou talvez centenas”, de parlamentares – sobre o que fazer com ele e o potencial explosivo de sua ira. Para Pimenta, estes parlamentares sabem, também, “e têm sido lembrados disso diariamente, que ‘pactos com o diabo’ são eternos”, conforme ironizou.

“Cunha queria ser salvo antes da votação do impeachment. No entanto, a eleição de Rodrigo Maia pôs uma pá de cal nesse desejo. Temer não aceita salvar seu comparsa antes de consumar o golpe. Os interlocutores do diabo, ou melhor, de Cunha, são taxativos: não ousem nos trair depois de contarem conosco para afastar Dilma”, afirmou o parlamentar.
Paulo Pimenta avaliou também que existe, além disso, o que chamou de “fator Odebrecht”, uma vez que a delação dos executivos da empreiteira, a seu ver, vai “sacudir os alicerces do aparato golpista e deverá incentivar outras delações que não deixarão ‘pedra sobre pedra’ no caminho”.

“Eles acham que se não é possível evitá-la, que seja adiada. Contam com a inestimável participação de Moro (o juiz federal Sérgio Moro) e Gilmar Mendes (ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral e integrante do colegiado do Supremo Tribunal Federal) e sabem que se der tudo errado, será possível, ainda, eleger um presidente da República, no Congresso, já em janeiro de 2017. Para tanto, a delação não poderá ser homologada antes de novembro”, afirmou.
‘Dever cívico’

A deputada Maria do Rosário Nunes (PT-RS) recentemente fez referência a 11 volumes do processo contra Cunha e afirmou que diante da responsabilidade, já confirmada, dele pelos crimes cometidos contra a União e contra a nação, considera importante agilizar a votação da sessão que vai apreciar seu processo de cassação. “É nosso dever cívico e nossa responsabilidade parlamentar”, destacou. “O país precisa ter um parlamento livre dessas circunstâncias que tanto envergonham.”

Os deputados Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Alessandro Molon (Rede-RJ), Chico Alencar (Psol-RJ) e Ivan Valente (Psol-SP) adiantaram que vão se mobilizar para tentar antecipar a votação para esta semana, ou, pelo menos, a partir do próximo dia 22.

A articulação é considerada difícil, diante do fato do presidente da Casa ter praticamente decretado uma espécie de recesso branco de hoje até sexta-feira. Mas, de acordo com eles, não é possível a Casa esperar quase 30 dias para decidir sobre a votação de um parlamentar cuja culpa “já está mais do que comprovada”.

O grupo pretende interferir junto à mesa diretora e cogita, ainda, interpor mandado de segurança no Judiciário. “A questão diz respeito, agora, à pressão que estão sofrendo os deputados que conseguiram algum favor dele (Cunha) e ao temor do presidente interino Michel Temer”, disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

GGN
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

Poste aqui o seu comentário: