Movidos pelo inconformismo da quarta derrota sucessiva na disputa para a Presidência da República, PSDB/DEM e seus partidos satélites criaram no país — com apoio de uma mídia sem compromisso democrático — a ideia de que o impedimento da presidenta Dilma Rousseff seria a panaceia para a instabilidade política no País.

Por José Guimarães *


O governo do interino Michel Temer, na prática, não consegue apresentar propostas para o Brasil sair da crise. 

Passados quase três meses do afastamento provisório de Dilma, o que vemos é justamente o oposto: a instabilidade não só continua, como se agravou e adquiriu novos contornos. Os brasileiros hoje vislumbram incertezas no horizonte, com a permanente ameaça de desmonte de direitos históricos nas áreas trabalhistas, social e econômica.

O governo do interino Michel Temer, na prática, não consegue apresentar propostas para o Brasil sair da crise. Pelo contrário, aprofunda os problemas com sucessivas medidas que agridem a responsabilidade fiscal. Consolida-se a impressão de que não se sabe onde está e tampouco para onde se vai. A única certeza dos integrantes do governo interino é de que qualquer medida a ser tomada tem que ser contra os pobres, com a supressão de direitos conquistados ao longo de décadas, incluindo os avanços sociais obtidos a partir de 2003, com os presidentes Lula e Dilma.

Aturdidos, tentam forjar uma realidade distante do dia a dia dos cidadãos brasileiros. Buscam passar a imagem de que os problemas acabaram e o País passa a entrar em céu de brigadeiro. Para isso, há papel ativo de grande parte da mídia - que ajudou a criar as condições para o impeachment, numa aliança estratégica com os setores mais reacionários da sociedade.

A tentativa de falseamento da realidade culminou na adulteração de uma pesquisa de opinião para tentar engrinaldar o governo interino, atribuindo-lhe popularidade. Os números reais eram, no entanto, o oposto da versão publicada pela Folha de S. Paulo. Agora, na abertura das Olimpíadas, tentou-se minimizar a grande vaia ao presidente interino. Coube à mídia estrangeira mostrar ao mundo a estrondosa manifestação dos brasileiros.

O fato é que está em curso um colossal esforço para se consolidar um golpe parlamentar e manter um presidente que nem pode sair às ruas, tal a sua impopularidade e ilegitimidade. Mas, afora a usurpação da democracia, a faceta mais perversa do golpe é contra o povo brasileiro, que se vê ameaçado por um retrocesso histórico no campo dos direitos sociais.

Querem desmontar o SUS, abrindo caminho para o domínio dos planos privados de saúde. Uma verdadeira violação da Constituição. Querem ferir de morte o direito à aposentadoria dos trabalhadores. Querem enterrar a legislação trabalhista e a carteira de trabalho. Não se envergonham de entregar as megajazidas do pré-sal a petroleiras estrangeiras, roubando do povo a garantia de um futuro melhor a partir das riquezas de nosso petróleo.

O lema deste governo é acabar com direitos, ferir a soberania e os interesses nacionais. A ordem é manter os privilégios de uma camada restrita da sociedade, como historicamente se fez no Brasil. A lógica é sufocar quem ganha salário mínimo e proteger os rentistas, que vivem às custas de ganhos financeiros, apartados do mundo real do trabalho e da produção.

Contra esses retrocessos, cabe a todos nós uma mobilização ampla para impedir a consolidação do golpe na votação do impeachment no Senado. É preciso convencer os senadores de que o futuro do Brasil está em risco. Não se trata de interesses imediatistas, mas de permitir ao país seguir no caminho da construção de uma sociedade inclusiva e verdadeiramente democrática.


*É deputado federal pelo PT do Ceará, vice-líder da Minoria na Câmara e vice-presidente nacional do PT



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