O rapper também comentou sobre a luta contra o racismo, a situação atual da segurança pública no Brasil (que engloba uma polícia militarizada) e democratização da mídia


Texto, fotos e vídeo por Thaís Tostes

Em entrevista à Mídia Ninja, o rapper MV Bill, autor de sons consagrados como "Soldado do Morro", "Traficando Informação" e "Preto em Movimento" e do documentário "Falcão - Meninos do Tráfico", deu sua visão a respeito das remoções de pessoas das ruas e de comunidades, na capital do Rio de Janeiro, por conta das Olimpíadas de 2016.

Bill comentou: "Eu acho que esse tipo de recolhimento compulsório é uma covardia. Eu já vi isso acontecer – na época do Pan, em 2007. Acho que é muita covardia pegar essas pessoas que fazem parte da população de rua, da população menos abastada, e jogar como se fosse uma sujeira pra debaixo do tapete. É uma característica muito conhecida nos governos do Brasil. Acho que isso é um insulto. Quando se fala da falta de um legado, pra mim é isso, inclusive. Tipo: às vezes eu vejo governantes falando de obras estruturais, como se elas fossem um legado esportivo. Não são. Obra estrutural é obrigação de quem está à frente dos governos. Então, acho que o legado poderia ter acontecido, só que a gente perdeu essa oportunidade".




Centenas de pessoas foram retiradas das ruas e de suas comunidades de origem por conta das Olimpíadas. No último mês de julho, por exemplo, a Agência Pública lançou o Projeto 100 — o maior levantamento multimídia já feito sobre as remoções efetuadas na capital do Rio por conta dos jogos. Foram quatro meses de apuração dos fatos. A Agência usou como parâmetro a estimativa do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro a respeito de obras listadas como "Legado dos Jogos Olímpicos": o BRT Transolímpica, o BRT Transoeste, o Porto Maravilha e as obras para reforma do estádio do Maracanã. O comitê identificou 2.186 famílias removidas somente para esse conjunto de obras. O projeto da Agência Pública engloba 100 dessas famílias.

Foi desse "Legado" que MV Bill falou: "Às vezes eu vejo governantes falando de obras estruturais, como se elas fossem um legado esportivo. Não são. Obra estrutural é obrigação de quem está à frente dos governos."


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