Nós já vimos células do cérebro voltarem a crescer em peixes, rãs e galinhas, mas isso nunca havia sido feito em mamíferos – até agora. Em uma nova experiência nos EUA, ratos com deficiência visual foram capazes de ter um pouco de sua visão restaurada e, futuramente, o processo poderia, eventualmente, ser replicado em humanos.

Mais do que isso: os cientistas dizem que a pesquisa pode levar a novas formas de combater doenças como Alzheimer e glaucoma, bem como lesões na medula espinhal.

Religando o interruptor
Uma vez que as células do sistema nervoso central de um mamífero atingem a maturidade, elas desligam o seu “interruptor de crescimento” e geralmente nunca mais crescem. Mas pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) foram capazes de reverter esse processo, usando manipulação genética para ligar o interruptor de volta, antes de “exercitar” o olho ruim dos ratos com uma série de figuras em movimento e de alto contraste.

Embora apenas algumas das células ganglionares da retina (RGCs) nos ratinhos de teste tenham crescido de novo (menos do que 5%), foi o suficiente para mostrar o potencial da técnica na restauração da visão, e demonstra que as células do cérebro de mamíferos podem, de fato, ser induzidas a restaurarem-se. Estes RGCs são cruciais para a visão. São elas que fornecem uma ponte entre o olho e o cérebro.

Os resultados foram melhorados ainda mais, encobrindo o olho bom dos ratos, para que eles fossem forçados a usar exclusivamente o olho danificado.

“Quando combinados estes dois – o truque molecular com a atividade elétrica – vimos este efeito sinérgico incrível”, disse o neurobiólogo Andrew Huberman para a revista Scientific American. “Os neurônios cresceram enormes distâncias – 500 vezes mais e mais rápido do que normalmente”.

A ativação do crescimento e os estímulos visuais ajudam as células cerebrais a crescer, então os resultados que os cientistas estão encontrando fazem sentido. Eles também sugerem que a mesma técnica pode um dia ser usada em seres humanos, embora nós sejamos um tipo muito diferente de mamífero, por isso pode levar algum tempo antes dos pesquisadores serem capazes de replicar os resultados com segurança em pessoas.

Neste caso, a terapia de gene alvo foi conseguida através da implantação de um vírus de promoção do crescimento feito sob medida nos cérebros dos ratos, mas os investigadores dizem que, eventualmente, comprimidos poderiam ser desenvolvidos para ter o mesmo efeito.
Cura do glaucoma?

Enquanto nós estamos muito longe de restaurar a visão de uma pessoa, é possível que dentro de poucos anos um tratamento como esse poderia ajudar a evitar a degeneração das células nervosas que provocam o glaucoma – um grupo de doenças oculares relacionado à lesão do nervo óptico.

Um estudo de 2012 já havia encontrado indícios de que estas células podem, de fato, crescer, mas o que a nova pesquisa faz é confirmar a hipótese e provar a extensão do trabalho de reparação que o cérebro pode fazer.

Por exemplo, os RGCs reparados não só cobrem toda a distância do olho até o cérebro, como também fizeram corretamente as conexões celulares, e isso é mais longe do que quaisquer experiências anteriores chegaram.

“[Os nervos] podem essencialmente lembrar sua história de desenvolvimento e encontrar o caminho de casa”, explicou Huberman. “Este tem sido o próximo marco importante no campo da regeneração neural”. O trabalho sugere que outros tipos de células do cérebro podem ser capazes de reparar-se, disse Huberman, mas isso ainda está para ser posto à prova. [Science Alert]


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Ronaldo

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