Quando cientistas da Era Vitoriana queriam analisar a anatomia de um animal, eram forçados a cortar seu objeto de estudo. Essa era a sua única opção, uma vez que técnicas como raios-X e ressonância magnética ainda não existiam.

Hoje em dia, os pesquisadores podem dar uma espiada em corpos sem precisar abri-los. No entanto, os efeitos visuais ainda não podem captar completamente a essência interior dos indivíduos. A opacidade teimosa da pele e dos órgãos é um desafio que nós ainda não tínhamos superado.


Até agora.

Ratos transparentes


Para nos dar uma forma completamente nova de percepção, cientistas da Alemanha, de instituições como a Universidade de Munique Ludwig-Maximilians e do Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas, criaram ratos transparentes que brilham no escuro.

O procedimento, o mais eficaz de seu tipo até o momento, também encolhe os animais até cerca de um terço de seu volume.

Como funciona


Para deixar um rato transparente, os pesquisadores primeiro removem sua pele. Eles então começam a injetar e banhar o animal com uma série de produtos químicos, incluindo um agente desidratante e um solvente orgânico. Esse processo leva alguns dias, gradualmente removendo a água e lipídios a partir das células do rato.

O processo de desidratação é o que faz com que o rato encolha. O resultado final é um animal com suas estruturas internas, inclusive os ossos, completamente intactas e quase totalmente visíveis a olho nu.

Através da coloração de sistemas orgânicos de interesse com proteínas fluorescentes, os pesquisadores podem analisar várias estruturas dentro do rato, tais como veias, ou neurônios e a medula espinhal.
Prova de conceito

O método foi nomeado uDISCO, abreviação para “ultimate 3-dimensional imaging of solvent-cleared organs”, algo como “imagem final tridimensional de órgãos limpos com solvente”.

A técnica baseou-se no método anterior 3DISCO, desenvolvido por alguns dos mesmos cientistas, que conseguiu deixar os ratos transparentes, mas não preservar as proteínas fluorescentes necessárias para investigar claramente dentro do corpo.

Como prova de conceito, os pesquisadores marcaram neurônios dentro do cérebro do rato com um corante fluorescente e aplicaram a técnica uDISCO. O resultado foi um mapa brilhante do sistema nervoso central, que permitiu aos cientistas ver a miríade de conexões e caminhos executados a partir do cérebro até a medula espinhal.


Próximos passos


Um teste feito em um pequeno pedaço de tecido humano também funcionou, o que abre a porta para estudar órgãos humanos transparentes no futuro.

Entre as potenciais aplicações para a técnica está a pesquisa de células-troncos, na qual é importante controlar para onde as células estaminais vão depois de terem sido implantadas.

A técnica uDISCO também poderia ajudar neurologistas a ver como os neurônios se conectam sem ter que desmantelar o cérebro. [DiscoverMagazine, Nature]






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Ronaldo

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