Provas provam o quê? Quem se interessa por provas? O golpe no Brasil é midiático, parlamentar, judicial e “técnico”. Provas? O procurador do Ministério Público Federal de Brasília, Ivan Marx, concluiu que não houve crime (comum) nas pedaladas da presidente Dilma. Depois de analisar o caso, concluiu também que as pedaladas não constituíram operações de créditos com bancos públicos. Crime comum dá cadeia. Crime de responsabilidade dá perda de mandato. Fica assim: crime que não for suficientemente grave para levar à cadeia, pode resultar em algo menos importante: um impeachment.

Crime de responsabilidade pode ser o nome de um crime que não é bem crime.

Ivan Marx queria ser ouvido pelos senadores. Não conseguiu. Se tivesse concluído pela existência de crime nas pedaladas, estaria em todas as manchetes e seria chamado ao Senado. O seu parecer valeria como elo perdido, a prova que falta para eliminar ambiguidades. A segunda prova é midiática. O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, o homem que mais tem denunciado internacionalmente o golpe no Brasil, provou que a Folha de S. Paulo manipulou uma pesquisa do DataFolha em favor da permanência de Michel Temer. O jornal admitiu a “imprecisão” da sua leitura dos dados. Afirmou que apenas 3% dos entrevistados queriam novas eleições sem ter feito essa pergunta. Fixou em 50% o apoio a que Temer fique. Refeitas as contas, incluída a possibilidade de novas eleições, são 19%. Um golpe bastante baixo.

O Globo noticiou ontem: o Tribunal de Contas da União (TCU) daria o quarto aval para emissão de créditos extraordinários ao governo Temer: “Ministros do TCU vêm manifestando, reservadamente, não haver diferença substancial entre as medidas provisórias editadas por Dilma e as que o governo Temer defende. Pelo menos três ministros entendem ser uma fragilidade considerar o uso desse instrumento como indício de irregularidade no julgamento das contas de 2015 da presidente afastada”. A manchete de O Globo era: “MPs de Temer podem levar TCU a mudar julgamento de Dilma. Tribunal, por três vezes, já deu aval a gastos extras do novo governo”.

Que coisa! Fenomenal.

Em miúdos: o TCU tinha um entendimento antes do governo Dilma (não havia irregularidade em créditos suplementares). Mudou. Desaprovou os atos da presidente. Com o afastamento de Dilma, mudou novamente, voltando a considerar que não há irregularidade. Que conclusão tira o néscio que aqui escreve? Elementar: o TCU de Augusto Nardes agiu por conveniência. A Folha de S. Paulo também. Idem para os senadores que não quiseram ouvir o procurador Ivan Cláudio Marx. A Folha de S. Paulo forneceu a prova que faltava do comprometimento fraudulento da mídia com o governo Temer. O MPF fez seu trabalho. Os senadores encarregados do impeachment, com o tucano Antônio Anastasia à frente, ignoram esse fato. O TCU julga conforme o cliente. Uau!

E o STF? Bem, o STF não quer ouvir falar em mérito, prova, conteúdo, fundo.

É uma corte antropológica: só se ocupa de ritual.

Contexto Livre
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

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