Luiz Carlos Trabuco e outros diretores do banco são acusados de negociar propina para evitar o pagamento de dívidas milionárias

 
 
Lula Marques / Agência PT // Luiz Carlos Trabuco é réu

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, se tornou réu por corrupção no âmbito da Operação Zelotesdeflagrada em março de 2015 por Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda. A decisão foi tomada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, que aceitou a denúncia apresentada pelo MPF-DF contra Trabuco e outras nove pessoas.
O esquema de corrupção investigado funcionava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda no qual contribuintes podem contestar administrativamente – ou seja, sem passar pela Justiça – certas cobranças de impostos feitas pela Receita Federal. 
Segundo as investigações, servidores do Carf recebiam propina de grandes empresas para fazer as dívidas desaparecerem. O esquema desbaratado pela Operação Zelotes subtraiu do Erário pelos menos 5,7 bilhões de reais, segundo a força-tarefa da investigação.
No caso do Bradesco, os executivos do banco são acusados de negociar com um grupo que comprava decisões no Carf. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, além de Trabuco se tornaram réus da ação penal Luiz Carlos Angelotti, diretor de Relação com Investidores do Bradesco; Domingos Figueiredo de Abreu, diretor vice-presidente; e Mário da Silveira Teixeira Júnior, ligado ao Conselho de Administração do banco.
Em nota enviada à TV Globo nesta quinta-feira 28, o Bradesco afirmou ter "convicção de que nenhuma ilegalidade foi praticada por seus representantes". De acordo com o banco, "em respeito ao rito processual, apresentará oportunamente seus argumentos ao Poder Judiciário".
Em junho, quando Trabuco foi indiciado pela PF, o Bradesco afirmou que “não houve contratação dos serviços oferecido pelo grupo investigado" e que o presidente do banco "não participou de qualquer reunião com o grupo citado”.
Entre as empresas investigadas na Zelotes estão ainda a RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, que teria tido ajuda do ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes; o banco Santander; as montadoras Ford e Mitsubishi; e as companhias Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio e Mundial-Eberle, entre outras.
Em fevereiro passado, uma nova fase da Zelotes bateu à porta da siderúrgica Gerdau, uma das maiores companhias do País, suspeita de ter subornado agentes públicos para livrar-se de 1,5 bilhão de reais em impostos. Em março, a Zelotes denunciou por corrupção ativa o banqueiro Joseph Yacoub Safra, o segundo homem mais rico do Brasil. 
Por envolver empresários poderosos, a Zelotes jamais sensibilizou a mídia, e até mesmo no Judiciário enfrentou muitas dificuldades para avançar.
A operação chamou mais atenção da imprensa nacional quando passou a apurar, em paralelo, o envolvimento de um filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro Gilberto Carvalho em um suposto esquema de venda de leis.

 Carta Capital
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Ronaldo

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