A ata do Banco Central sobre a reunião do Copom, divulgada hoje, e as constantes entrevistas em que o Ministro da Fazenda são, à evidência, pressões sobre o presidente interino Michel Temer.

Meirelles e, sobretudo, o BC, creem que decisões políticas sobre a economia são mais dependentes da vontade que da possibilidade.

Ilan Goldfajn, o itaútico presidente do Banco Central, fez a Ata do Copom ser explícita:

O processo de implantação dos ajustes necessários na economia, inclusive de natureza fiscal, apresenta-se, ao mesmo tempo, como um risco e uma oportunidade para o processo desinflacionário em curso. Os riscos se apresentariam caso houvesse percepção de que os ajustes seriam abandonados, ou postergados significativamente (…) os ajustes necessários na economia podem ser aprovados e implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e queda das expectativas de inflação. Nesse caso, a redução de incertezas potencializaria os efeitos do ajuste monetário em curso.

Ou seja, sem garrote, esqueça a redução dos juros.

Temer, por sua vez, sabe que não será com medidas mais duras que elevará seus níveis de popularidade risíveis.

Quer “empurrar com a barriga” até novembro, quando já tiver passado o segundo turno das eleições municipais, o anúncio das que forem “impopulares”.

Há os interesses do PMDB e há, sobretudo, uma aposta pesada em Marta Suplicy, que ele quer contabilizar como vitória sua, embora sem provocar Geraldo Alckmin além do necessário com a caratonha de José Serra.

Só que deixar para agir “duro” só em novembro significa, na prática, deixar para a legislatura que se inicia em fevereiro de 2017 o início das discussões – nada fáceis e impossíveis no período eleitoral – das “maldades ” previdenciárias, trabalhistas e tributárias. Prefere ficar apenas nas orçamentárias, porque é corte que não se sente na hora, se reflete apenas no médio prazo, com a deterioração dos serviços públicos.

Mas até as fontes mais fiéis ao governo de usurpação estão inquietas.

Miriam Leitão diz, hoje, que”más notícias na área das contas públicas não param de chegar ao governo”.

Os déficits se avolumam e “a arrecadação continua em queda”.

Ela já fala que o “rombo” de R$ 170 bilhões pode estourar, porque sobrou pouco espaço para absorver o resultado negativo de estados e municípios.

E é por isso que torce para que se aprove logo o teto de gastos para o ano que vem: “porque pelo menos se garante que o déficit vai cair no futuro”.

Não parece que Eduardo Cunha vá colaborar com essa pressa na Câmara, não…



TIJOLAÇO
Axact

Ronaldo

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