"O que é, no fundo, atuar se não mentir?": Considerado um dos grandes nomes do cinema, ator shakespeariano foi parceiro de Marilyn Monroe e Hitchcock

Sir Laurence Kerr Olivier, nomeado barão Olivier, conhecido artísticamente como Laurence Olivier, considerado por muitos críticos como o maior ator do século 20, morre em Steyng, Inglaterra em 11 de julho de 1989. Ao longo de sua vida, atuou em 120 obras teatrais, 60 filmes e 15 séries de televisão. Recebeu em 1989, o Oscar pelo conjunto de sua carreira profissional.

Wikicomons // Laurence Olivier foi considerado o melhor do século 20

Filho de um pastor protestante, nascido em 22 de maio de 1907, em Dorking, Inglaterra, aos 10 anos chama a atenção ao interpretar Brutus na representação teatral de Júlio César de William Shakespeare. Sete anos mais tarde, interrompe seus estudos em Oxford para estudar Arte Dramática em Londres. No final dos anos 1920, estreia como ator e não tardaría em converter-se num grande especialista em Shakespeare. Durante a década de 1930 chega a ser uma das principais figuras da companhia do famoso Old Vic Theatre, enquanto desenvolvia uma carreira como astro de cinema em vários filmes britânicos. Chega a Hollywood e converte-se em ator de películas românticas devido a seu personagem Heathcliff de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigido por William Wyler e a seu Max em Rebeca, a Mulher Inesquecível de Alfred Hitchcock.
A Segunda Guerra Mundial interrompe esta ascendente trajetória e o leva a atuar em distintas fitas de propaganda bélica, o documentário Os Conquistadores do Ar dos irmãos Korda, a obra de ficção Lady Hamilton, a Divina Dama ou Os Invasores de Michael Powell.

Laurence Oliver em solilóquio no filme 'Hamlet' (1948), filme que dirigiu e protagonizou:


Em 1946 dirige Henrique V, visão pessoal da tragédia de Shakespeare pela qual conquista o Oscar. O sucesso o ajuda a dirigir e protagonizar Hamlet um novo estrondoso éxito que o faz ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza e o Oscar de Melhor Filme e o de Melhor Ator.
Nos anos 1950 dirigiu o Old Vic Theatre e dedica seu tempo ao teatro, se bem que retornou a Hollywood para protagonizar Perdição de Amor de William Wyler. Para terminar a trilogia shakesperiana encena Ricardo III que não alcança o mesmo sucesso das anteriores representações. Olivier alcança então fama mundial como um ator bastante versátil de interpretações sólidas, marcadas por um estilo psicológico personalíssimo.

Nos anos 1960, dirige a England's National Theatre Company e encerra sua carreira como director com O Príncipe e a Corista, uma comédia com Marilyn Monroe como protagonista e ele como parceiro; e As Tres Irmãs, uma adaptação do clásico de Anton Tchecov. Além do mais participa como ator em filmes entre os quais se destacam Spartacus, em que deu vida ao cônsul Crasso e foi dirigido por Stanley Kubrick; O Animador  de Tony Richardson; As Sandálias do Pescador com Anthony Quinn ou Bunny Lake Desapareceu de Otto Preminger.
Após alcançar todo tipo de honrarias e ser um mito do teatro britânico e universal, nos anos 1970 e 1980 limitou-se a interpretar papéis secundários em filmes de destaque como Jogo Mortal na qual mantém um enorme duelo interpretativo com Michael Caine; Maratona da Morte de John Schlesinger; Os Meninos do Brasil de Franklin Schaffner, inquietante película sobre o médico nazista Joseph Mengele, interpretado por Gregory Peck, na qual desempenha o papel de um caça-nazista aposentado, inspirado na figura de Simon Wiesenthal.
Nos anos 1970 protagoniza uma série de filmes para a televisão em que se sobressai o Amor entre Ruínas com Katharine Hepburn, pela qual ganhou o premio Emmy e a minissérie Jesus de Nazaré, em que encarnou Nicodemo, realizando outro destacado trabalho.
"O que é no fundo atuar se não mentir? E o que é atuar bem se não mentir convencendo? Um ator debe ser capaz de criar o universo na palma de sua mão!”, disse Olivier em uma entrevista.
Casado em segundas nupcias com Vivien Leigh com quem manteve uma relação tormentosa, se divorcia para casar-se com a atriz británica Joan Plowright.
Ao morrer Vivien, Laurence se encontraba no hospital afetado por uma enfermidade, porém ao ser avisado da notícia do falecimento de sua ex-esposa pediu alta voluntária e acudiu imediatamente ao velório de Vivien. Ele mesmo relatou em suas memorias que permaneceu junto a ela a sós “pedindo perdão por todo o daño que lhe havia feito”. Sempre a recordaría como o grande amor de sua vida.
Laurence foi cremado e suas cinzas foram sepultadas na Abadia de Westminster.

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