A conquista da Taça Jules Rimet rendeu à nação, que havia sido destroçada pelo nazismo e pela guerra, grandeza e respeitabilidade
A Copa do Mundo de 1954 ocorreu na Suíça. A opinião generalizada dos críticos desportivos era que a Hungria, indiscutivelmente favorita, seria inevitavelmente a campeã. Sua brilhante equipe, comandada pelo genial jogador Ferenc Puskas, conhecido como o “Major Galopante”, parecia irresistível. Afinal, tinha conquistado a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Helsinqui de 1952, exatamente contra a Iugoslávia, à época posta à margem das nações socialistas pelo seu “desviacionismo titoísta”.


Wikicommons//Estádua de bronze em homenagem aos heróis da conquista do primeiro título mundial alemão em frente ao Fritz Walter Stadion


A Inglaterra havia sido esmagada pouco antes do campeonato, em dois jogos amistosos que tiveram como palco o emblemático estádio de Wembley. Invicta havia 22 jogos (19 vitórias), a magiar enfrentaria a pátria-mãe do futebol, que estava invicta em Wembley, e não perdia um jogo em casa para uma seleção não britânica desde 1901.

Para a imprensa inglesa, aquela tarde de quarta-feira de 25 de novembro de 1953 seria o “Match of the Century” – o jogo do século. Na época, se existisse uma grande seleção que conquistasse títulos e fizesse história, os ingleses faziam questão de chamá-la para uma partida amistosa no imponente estádio de Wembley para um tira-teima. Lá, a tal grande seleção perdia o jogo e os ingleses continuavam com a soberba de “melhores do mundo”, “inventores e imbatíveis do futebol mundial”.



Flâmula húngara para a Copa do Mundo de 1954. Foto: WikicommonsOs ingleses fizeram um convite para uma tal seleção húngara que encantava a todos com um futebol revolucionário e envolvente que havia tido seu grande momento com o ouro olímpico em 1952.



Para a Inglaterra, aquilo não era nada. Era preciso passar pelo teste definitivo em Wembley para ver se os magiares eram mesmo bons. No dia da partida, 100 mil pessoas lotaram o santuário da bola para assistir a mais uma vitória inglesa, como previa a maioria. Porém, em campo, o que todos viram foi um baile de jogadores altamente técnicos e totalmente à frente de seus adversários, de seu tempo e da própria e velha Inglaterra.

A Hungria de Puskás, Kocsis, Budai, Czibor e Hidegkuti aplicou sonoros 6 a 3 nos “senhores do futebol” e não só venceu o mais importante amistoso de todos os tempos, como estabeleceu feitos notáveis: foi a primeira seleção fora da Grã-Bretanha a vencer a Inglaterra em Wembley, mostrar a todos um novo e diferente esquema de jogo (4-2-4) e provar que o ouro olímpico de 1952 não havia sido mera coincidência. A Hungria era mesmo uma seleção imortal. E sensacional. Houve a revanche, desta vez em Budapest, no Nepstadium, em 23 de maio de 1954. E a Hungria aplicou sonoros 7 a 1.

Mundial na Suíça

As duas primeiras partidas da Copa do Mundo resultaram em fantásticas goleadas para a Hungria: 9 a 0 contra a Coreia do Sul e 8 a 3 contra a Alemanha Ocidental, se bem que esta jogou com muitos reservas.

A sequência da competição reservou aos húngaros jogos mais difíceis e até encrespados. Ganharam do Brasil por 4 a 2 e em seguida, numa partida duríssima, definida apenas na prorrogação, marcada por contusão de Puskas e brigas entre os jogadores no finalzinho, bateram o Uruguai por 4 a 2. A equipe da Hungria estava qualificada para a final, em 4 de julho, contra a Alemanha Ocidental.

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Ronaldo

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