Candidata do PSOL à presidência da Câmara, deputada critica fragmentação do "campo progressista"

GIL ALESSI
São Paulo

“Azarona”, “candidatura de protesto” e “ela não tem chance”. Essas foram algumas das reações ouvidas desde que a deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), 81, se apresentou no início da semana para disputar a presidência da Câmara, que será escolhida nesta quarta-feira. No páreo com ela na disputa, um balaio com pesos pesados do chamado centrão, apadrinhados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e favoritos do presidente interino Michel Temer, quase todoscom um histórico de processos judiciais. “São dois projetos: os que estão com Cunha e o Governo Temer e do outro lado nossa candidatura”, afirmou Erundina. Para ela, as chapas ligadas a caciques do PMDB “são chapas do golpe e do retrocesso”.

Deputadas protestam na Câmara. FABIO RODRIGUES POZZEBOM AGÊNCIA BRASIL

Inicialmente o PSOL (cuja bancada tem seis deputados) esperava poder contar com o apoio do “campo progressista” da Câmara, com votos do PT e do PC do B. Mas às vésperas da eleição as legendas apresentaram candidatos próprios. Posteriormente os petistas se retiraram da disputa, mas quem os parlamentares da legenda irão endossar ainda não está claro. “Alguns companheiros desse partido viriam em apoio à nossa candidatura, alguns me declararam isso”, diz Erundina, que deixou o PT em 1998. Outra parte dos ex-colegas petistas, no entanto, se dispõe a apoiar Marcelo Castro (PMDB-PI) – o que despertou muitas críticas na militância, uma vez que o PMDB foi o grande artífice do afastamento da presidenta Dilma Rousseff.

Veterana da política – Erundina já foi vereadora, deputada estadual e prefeita de São Paulo -, a parlamentar lamenta o fato. “Existe uma fragmentação da esquerda, até hoje ela não foi capaz de construir um projeto político que pudesse catalisar todas essas forças”, diz. Para a candidata, “enquanto a esquerda não se unir, a direita levará a melhor”. “A direita luta entre si, mas conseguem se unir em torno de um pacto do conservadorismo, e se tornam invencíveis”, afirma.

Se no plenário da Câmara Erundina enfrenta um cenário desfavorável, nas redes sociais progressistas criou-se um clima de empolgação em torno de sua candidatura, com a proliferação de fotos de perfil com os dizeres “Eu apoio Erundina para a presidência” e mensagens de incentivo. A candidata angaria o apoio de militantes e pessoas insatisfeitas com os “políticos de sempre” e seus currículos maculados por inquéritos da Operação Lava Jato. Parte da população vê na octogenária deputada uma alternativa - ela tem apenas um processo judicial em sua vida política, foi condenada a ressarcir a prefeitura de São Paulo por ter usado recursos do Governo para pagar anúncio em jornais em apoio a uma greve nacional.

Em maio a candidata sentou temporariamente na cadeira de Cunha durante protesto da bancada feminista. Agora quer ficar até janeiro de 2017, quando uma nova mesa diretora será escolhida. Mas caso não saia vitoriosa, Erundina afirma que o PSOL "vai trabalhar para que nossas ideias sejam consideradas pela próxima mesa diretora da Casa". De qualquer forma, essa é apenas o primeiro teste de fogo da parlamentar esse ano: ela também é pré-candidata à prefeitura de São Paulo.

EL PAÍS Brasil
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