"Dizer que direitos não cabem no PIB é tese liberal de governo que defende ricos", diz ex-ministro



Afirmar que os direitos sociais e trabalhistas garantidos pela Constituição de 1988 extrapolam o orçamento federal, como se tem feito, é o mesmo que dizer que o povo não cabe nas contas do governo ou que a prática democrática não serve ao Brasil porque onera os cofres públicos.

Afinal, assegurar proteção social e direitos básicos, principalmente aos segmentos mais pobres da população, é a essência do que se entende por um estado democrático. É o que pensa o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro dos governos Sarney e FHC e fundador do PSDB.

Bresser pediu a desfiliação do partido tucano em 2011 e vem defendendo os governos de Lula e Dilma. Leia entrevista a seguir:

Olho Crítico: Integrantes do governo interino afirmam que é preciso cortar direitos para enfrentar a crise. O que acha?

Luiz Carlos Bresser-Pereira: Essa é uma tese liberal sem sentido. Pura ideologia. As contas públicas brasileiras estiveram equilibradas, com resultados primários dentro da meta de 1999 até 2012 – o que demonstra que os direitos sociais garantidos na Constituição de 1988 cabem perfeitamente no PIB brasileiro.

OC: Por que, sempre que as contas se desequilibram, o corte é na área social?

Bresser-Pereira: Quando o Estado entra em crise fiscal, os governos liberais ou neoliberais buscam sempre reduzir as despesas dos setores populares. O motivo é simples: invariavelmente esses governos representam os interesses dos ricos.

OC: Como sair deste ciclo vicioso? ]

Bresse-Pereira: O problema brasileiro é uma taxa de juros escandalosamente alta e a ausência de uma política cambial séria... só que os liberais estão muito felizes com a taxa de juros alta, porque isso é bom para os rentistas. Então não vejo como isso pode dar certo.

OC: Qual a sua opinião sobre a possibilidade de novas eleições para presidente?

Bresser-Pereira: A proposta que Dilma se comprometa a convocar novas eleições caso o Senado a confirme no posto me parece uma excelente ideia. E é uma ideia viável. Há muitos conservadores que não estão satisfeitos com a solução golpista

Natália Rangel - Jornal Olho Crítico
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Ronaldo

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