Taxa de desocupados sobe para 11,3% no segundo trimestre. Até o fim junho, o país tinha 11,6 milhões de desempregados


HELOÍSA MENDONÇA


Fila de emprego em São Paulo. FERNANDO CAVALCANTI


O mercado de trabalho brasileiro continua sofrendo fortemente com a recessão econômica que o país atravessa. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego no Brasil subiu para 11,3%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) publicados nesta sexta-feira. Até o fim junho, o país tinha 11,6 milhões de pessoas procurando emprego. Este é o maior patamar de desemprego já registrado pela Pnad Contínua desde o início da série, em 2012.

A população desocupada cresceu 4,5% em relação ao primeiro trimestre que registrou um desemprego de 10,9%. Já na comparação com o segundo trimestre de 2015, o aumento foi de 38,7%. Naquela época a taxa era de 8,3%. Em um ano, houve um acréscimo de 3,2 milhões de pessoas desempregadas no Brasil.

"A indústria é setor que mais percebe a crise e o ambiente recessivo que temos hoje", explicou Cimar Azevedo, coordenador da pesquisa, em coletiva de imprensa. Entre o segundo trimestre de 2015 e o segundo trimestre deste ano foram perdidos 1,44 milhão de empregos no setor.

Ainda segundo a pesquisa, a população ocupada no Brasil soma 90,8 milhões de pessoas e não registrou variação frente ao trimestre anterior. No entanto, em relação ao primeiro trimestre do ano passado, houve recuo de 1,5% no número de ocupados, o que representa menos 1,4 milhão de pessoas no mercado de trabalho.
Desemprego deve seguir crescendo

A maioria das projeções dos economistas já estimavam que o número de desempregados subisse no último semestre. Ainda que haja uma sensação de que a economia brasileira começa dar alguns sinais de melhora em determinados setores, o mercado de trabalho é sempre o último a retomar um crescimento, segundo Bruno Ottoni, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas.

"Em meio à recessão e um cenário ainda de incertezas, o empresário prefere esperar para voltar a investir e empregar. Apesar de alguns indicadores que mostram uma melhora, eles precisam de algo mais sustentável. O mercado de trabalho é mais rígido mesmo". explica.

Além de reorganizar as contas públicas do Brasil e retomar a confiança de investidores, o presidente interino Michel Temer terá como grande desafio diminuir o índice de desemprego. Ele precisará reforçar a necessidade de implantar reformas trabalhistas, como os contratos de trabalho flexíveis, para retomar o crescimento e, consequentemente, reduzir o desemprego.

Para o Ottoni, só após a retomada do crescimento da economia será possível falar em uma queda do desemprego. Segundo as estimativas do Ibre, o que já é ruim vai ficar ainda pior até o final do ano. A taxa de desocupados deve chegar a 12,10% em dezembro. Ainda segundo Ottoni, só em 2018, o desemprego deve começar a cair. "Como o crescimento do PIB ainda será fraco no próximo ano, o número de desempregados continuará alto", explica.

As projeções de alguns bancos brasileiros também apontam uma tendência de alta do desemprego para os próximos meses. Segundo a estimativa do Bradesco, o índice de desemprego chegará a 11,9% em 2017. Já o banco Santander prevê que a taxa de desocupados atingirá o seu pico em meados do primeiro semestre de 2017, em torno de 12,5%
Menos renda e mais informalização

A Pnad também mostrou que a renda do brasileiro diminui nos últimos meses. De abril a junho, a renda média real do trabalhador foi de 1.972 reais. O resultado representa queda de 4,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando a renda média era 2.058 reais.

O emprego formal, com carteira assinada, ficou estável entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, com 34,4 milhões de trabalhadores nesta condição. Já em relação ao mesmo período de 2015, ocorreu um recuo de 4,1%, com menos 1,5 milhão de pessoas sob a proteção da formalização.

EL PAÍS Brasil
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

Poste aqui o seu comentário:

0 comments:

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;