Os encontros entre Michel Temer e o principal executivo da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, secretos e intermediados por Eduardo Cunha, não deram nem chamada na primeira página, como você pode conferir na imagem da capa de O Globo de hoje.

O texto está lá, nas páginas internas, mas claríssimo:

Entre 2012 e 2014, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) organizou pelo menos três encontros do então presidente do grupo Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, com o então vice-presidente Michel Temer. Os encontros não constaram da agenda oficial do vice. As mensagens em que Cunha e Azevedo combinam as reuniões foram registradas em anexos do relatório sobre a perícia que a Polícia Federal fez em um celular do executivo, e incluídas em inquérito público da Operação Lava-Jato.
A assessoria do presidente interino, Michel Temer, confirmou um dos encontros, realizado em 2014, a três meses das eleições, e alegou “razões técnicas” para não inclusão do ato na agenda oficial do então vice-presidente.
De acordo com as mensagens, a reunião ocorreu no gabinete da Vice-Presidência, no anexo do Palácio do Planalto, em Brasília. Pelos textos, não é possível saber o tema tratado. A assessoria de Temer afirma que Azevedo informou, no encontro, que faria uma doação eleitoral ao PMDB. Em 2014, a Andrade Gutierrez doou R$ 11,4 milhões ao PMDB.

Se o assunto dos encontros, um deles apenas três meses antes das eleições de 2014, não era pedido de dinheiro (será que seria um culto religioso presidido por Cunha?), o que seriam as “razões técnicas” para não se publicar na agenda a “visita de cortesia”.

Tudo, aliás, nos diálogos revelados na transcrição das mensagens, mostra que Cunha era o canal de Temer: “Você pode sair e ir ao Jaburu me encontrar e ao michel se quiser”, diz o ex-presidente da Câmara.

Como assim um encontro com o então Vice-Presidente da República, depois remarcado para seu próprio gabinete, é na base do “se quiser”?

Diz a assessoria de Temer que ele e Azevedo tinham “relacionamento institucional e não precisariam de intermediários para marcar encontros”.

Então, para que a intermediação de Cunha?

Para tratar daquilo que não pode ser dito expressamente por alguém que quer conservar a fleugma e não pode, pelo cargo, entrar no “varejo” dos acertos de dinheiro para a política e para os políticos?

Em outra mensagem, segundo o jornal, Eduardo Cunha escreveu a Azevedo: “O michel cansou de te esperar e foi embora. fiquei só eu”.

“O executivo respondeu: “Você é que me interessa. O Michel é um grande líder e eu não poderia incomodá-lo. Mas na verdade não sabia que ele estaria aguardando com você. Estou chegando mas tem alguma merda acontecendo na cidade. abs”. Cunha deu risadas: “Rsrsrsrs abs”

Deu mesmo, mas só quem está dando risadas é Michel Temer. Os outros dois não têm motivos para rir. Com eles, veio ao caso.


Tijolaço
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

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