Cinco filmes para não esquecer de Hector Babenco
Diretor morreu na noite desta quarta e deixa um legado precioso para o cinema brasileiro

Héctor Babenco, em uma foto de 2007. CLAUDIO ONORATI EFE


MARINA ROSSI


O diretor Hector Babenco morreu na noite desta quarta-feira, aos 70 anos, vítima de uma parada cardíaca, deixando um grande legado para o cinema nacional. Ele dirigiu filmes que estão na lista dos mais vistos pelo no Brasil de todos os tempos. Lúcio Flávio (1977) e Carandiru (2003), por exemplo, levaram mais de cinco milhões de telespectadores cada um para a frente das telas. Argentino radicado no Brasil, representou o Brasil na premiação do Oscar em 1985, indicado na categoria de melhor diretor com o filme O Beijo da mulher aranha. Abaixo, uma lista de filmes para não esquecer (ou para conhecer) Babenco.



Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1976)




O drama político conta a história do famoso bandido Lúcio Flávio que, na década de 1970, durante a ditadura militar, tornou-se nacionalmente conhecido pelos roubos a bancos. Com Reginaldo Faria no papel principal, o filme levou quatro prêmios no Festival de Gramado e foi eleito o melhor filme do júri popular naMostra de Cinema de São Paulo.

Pixote, a lei do mais fraco (1980)




Indicado ao Globo de Ouro pelo melhor filme estrangeiro em 1982, Pixote narra a história de um garoto pobre que acabou de sair da Fundação Casa (antiga Febem)e vive pelas ruas de São Paulo. Ao longo do filme, conhece a prostituta Sueli, interpretada por Marília Pêra. Na vida real, o ator Fernando Ramos da Silva, que interpretou Pixote, tinha muitas semelhanças com a ficção: muito pobre, vivia em um barraco miserável em Diadema (região metropolitana de São Paulo), com os pais e mais quatro irmãos. Na época do lançamento do longa, Silva foi considerado uma revelação e tentou seguir a carreira de ator na Rede Globo, mas não conseguiu. Por ser semianalfabeto, tinha dificuldades para decorar os textos. Foi morto aos 19 anos por policiais militares, num tiroteio, após estar supostamente envolvido em um assalto (leia aqui como EL PAÍS noticiou a morte em 1987). A história de vida do garoto é contada no livro Quem matou Pixote?, de José Joffily.

O beijo da Mulher Aranha (1985)




Baseado no romance homônimo do escritor argentino Manuel Puig, o filme é uma coprodução brasileira-estadunidense. Produzido logo após o auge da repressão política na América Latina, o longa conta a história da relação do prisioneiro político Valentín Arregui (Raul Julia) que divide a cela com Luís Molina (William Hurt), um homossexual condenado por corrupção de menor. Ao longo da trama, os protagonistas vão se aproximando e, à medida que a história se desenvolve, é possível perceber que Arregui está sendo envenenado para revelar o que sabe, enquanto Molina vai se apaixonando pelo companheiro de cela. Sônia Braga faz parte do elenco do longa que rendeu um Oscar e uma Palma de Ouro em Cannes, ambos na categoria melhor ator, a William Hurt.

Carandiru (2003)




Talvez o filme mais popular do diretor, Carandiru é baseado no livro Estação Carandiru, do médico e escritor Drauzio Varella – que também atua no longa – e conta a história do extinto presídio antes e durante o massacre ocorrido em outubro de 1992, quando 111 presidiários foram mortos pela polícia. Fazem parte do elenco os atores Lázaro Ramos, Wagner Moura, Caio Blat, Rodrigo Santoro e a cantora Rita Cadillac. Foi indicado a uma Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2003 e em mais quatro prêmios nacionais e internacionais. Vencedor do Festival de Cinema de Havana, do Festival de Cinema de Cartagena e do Prêmio Qualidade Brasil.

O passado (2007)




Inspirado na obra homônima de outro escritor argentino, Alan Pauls, o filme trata das doenças obsessivas- compulsivas do amor e da dificuldade em lidar com o término de uma relação. O ator Gael García Bernal faz o papel de Rímini, um homem que acaba de se divorciar de um casamento de 12 anos. No drama, Rímini tenta se refazer da separação, mas Sofia usa das lembranças vividas pelo casal para tentar prendê-lo ao passado. A trama envolve ciúmes e possessividade de uma relação que já acabou.


EL PAÍS Brasil
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Ronaldo

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