Por Sergio da Motta    

                            
Em Fevereiro deste ano, o jornalista do periódico “O País” Gil Alessi (9) entrevistou o professor de ciência política Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília, sobre a possibilidade da aproximação do fim da identificação das camadas menos favorecidas da população brasileira com o operário de origem humilde que foi eleito duas vezes para presidente.
                                                                                                                        
A reportagem explicava que Lula havia escapado ileso do turbilhão do “Mensalão” em 2005, e que o ex-metalúrgico ainda era, até o início do ano passado, um forte candidato a um terceiro mandato no Palácio do Planalto. Depois disso, as acusações (nunca provadas) da posse do sítio em Atibaia e do apartamento no Guarujá, a imagem de Lula foi abalada junto ao eleitorado que ele mais teve dificuldade em atrair para seu lado desde o final dos anos de 1980: a gente mais humilde e os trabalhadores mais pobres do Brasil. Que teve dificuldades com os termos e nuances das acusações anteriores, palacianas e burocráticas demais para o gosto e a percepção popular em 2005. Mas não teve dificuldades em aceitar o embuste empurrado pela mídia, Polícia Federal e Ministério Público da falsa propriedade de imóveis onze anos depois.
Foi a “Operação Aletheia”, que começou a desgastar a imagem de Lula junto a seu eleitorado mais difícil de conquistar. Será que alguém já notou que os nomes pomposos que a Polícia Federal emprega funcionam como uma espécie de “gatilho” que a imprensa aperta sem muito pensar ou verificar?

Transações irregulares com imóveis “envolvem ética e valores”, explicou o acadêmico. A prática de ilícitos com bens imobiliários é bem conhecida por muitas famílias brasileiras de todas as extrações sociais. Aí começou com força total o trabalho de destruição da imagem do homem pobre que venceu os preconceitos de uma burguesia provinciana e ousou tentar elevar o padrão de vida dos brasileiros mais pobres. Lula nunca foi e nunca será perdoado por tentar incluir o trabalhador brasileiro entre a classe média brasileira. Boa parte dela tem nojo do povo mais pobre deste país.
A acusação de ocultação de imóveis (que ele e sua mulher nunca possuíram ) bastou para iniciar o processo de destruição da imagem do trabalhador que acabou presidente e campeão das causas populares . Depois da condução coercitiva do ex-presidente (4/3), ficou bem óbvia para todos a ressalva que o professor Ricardo Caldas fez ao jornal espanhol sobre as possibilidades de Lula em 2018: “só uma condenação judicial afastaria Lula da disputa presidencial.”
Depois de sua apelaçãor ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, confirmada pelo jornal lusitano “Portugal Digital” (29/7), Lula foi acusado de obstruir a Lava-Jato. Agora é réu acusado de ser o chefe de um sistema de corrupção que em muito o antecede. O Procurador Carlos de Lima acredita que Lula é o líder do grupo de larápios dos bens públicos saqueados em mais de 20 anos de corrupção. Ele, e a maior parte da turma do Paraná.
Lula foi indiciado e não tem foro privilegiado. O “Pais” publicou tudo em detalhes (29/7). Seus algozes estão em êxtase e o Brasil está prestes a mergulhar mais uma vez em seu lago negro de atraso, provincianismo e miséria sem fim para a grande maioria de sua população.

GGN
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