Temer chama declarações de Machado de criminosas, mas delator reafirma denúncias

Segundo o ex-presidente da Transpetro, todos os políitcos denunciados tinham noção dos ilícitos


ANDRÉ DE OLIVEIRA

Michel Temer durante pronunciamento nesta manhã UESLEI MARCELINO REUTERS

O presidente interino Michel Temer fez um pronunciamento nesta manhã de quinta-feira para comentar o conteúdo da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. No começo de sua fala, Temer ressaltou que falava como um homem que defende sua honorabilidade e, dirigindo-se à sua família e ao povo brasileiro, classificou a revelação de Machado como “irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa”. Afirmou ainda que, se tivesse cometido algum delito, não teria condições de presidir o país. O ex-presidente da Transpetro disse em sua delação que Temer negociou propina para Gabriel Chalita, em 2014, quando ele era candidato à prefeitura de São Paulo.

Antes de mudar o tom de seu discurso e assumir, segundo ele próprio, seu papel de presidente interino, disse ainda que refutava e iria continuar refutando acusações dessa natureza "para poder andar nas ruas do meu Estado, nas ruas do Brasil, receber os cumprimentos e as homenagens que tenho recebido neste último mês em todos os locais por onde passo" pelo trabalho feito até agora. Segundo ele, hoje seu Governo está "fazendo um papel extraordinário com apoio da maior parte do povo brasileiro".

Horas após o pronunciamento, Machado divulgou uma nota para reafirmar suas denúncias, destacando que "quando se faz acordo de colaboração assume-se o compromisso de falar a verdade e não se pode omitir nenhum fato". Na mensagem, Machado diz que foi procurado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO) em 2012 por conta de uma demanda de Temer: ajudar da candidatura de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo. "Naquele mesmo mês, estive na Base Aérea de Brasília com Michel Temer, que embarcava para São Paulo. Nos reunimos numa sala reservada. Na conversa, o vice-presidente Michel Temer solicitou doação para a campanha eleitoral de Chalita", relata o ex-presidente da Transpetro.

Segundo o delator, "o [então] vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da Transpetro, através de minha influência direta". "Não fosse isso, ele teria procurado diretamente a empresa doadora", completa Machado na nota.
Agenda

No resto do pronunciamento, de pouco mais de sete minutos, Temer se dedicou a elencar ações tomadas até agora, dando enfoque central para questões econômicas. “Tivemos a coragem e ousadia de propor plano que fixa teto para gastos públicos”, disse, lembrando da nova proposta de sua equipe econômica para conter gastos do Estado brasileiro, anunciado nesta quarta pela equipe econômica, mas ofuscado pelas gravações de Machado que se tornaram públicas ao longo do dia.

Classificando as ações econômicas de seu Governo como "ousadas" e "necessárias", o presidente interino também destacou o que enxerga como um apoio de comentários e da mídia em geral para as ações que tem tomado. O plano de fixar um teto nos gatos públicos, contudo, é um dos pontos que vem sofrendo críticas de economistas.

Segundo ele, as "acusações levianas" de Sérgio Machado não serão toleradas e sempre que surgir algo do tipo, será prontamente rebatido em pronunciamentos presidenciais. “Eliminamos ministérios, mais de 4.200 cargos de livre nomeação, eliminamos mais de 10.200 cargos comissionados, eliminando, portanto a comissão. Tivemos uma relação muito fértil com o Congresso Nacional. Temos hoje uma base parlamentar que revela que o País está em harmonia, ao governarem executivo e legislativo, é fundamental para o país essa interação”, elencou Temer. "Em um momento como esse, surge um fato leviano como esse para embaraçar, mas nada embaraçará nosso trabalho", completou.

EL PAÍS Brasil


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