Os trabalhadores de Berlim Oriental dão início em 17 de junho de 1953 a uma revolta para denunciar o aumento da jornada de trabalho nas fábricas e para exigir a substituição do governo comunista que a União Soviética colocou em sua zona de ocupação militar. A sublevação aconteceu dois meses apenas depois da morte de Stalin e as tropas soviéticas a reprimiram duramente -- os ocidentais não se manifestaram. Três milhões de alemães do Leste se passaram para o lado ocidental antes da construção do muro de Berlim em 1961.

Wikicommons//Memorial das vítimas da Revolta de 1953 em Berlim Oriental

A URSS ordenou que toda uma divisão blindada de suas tropas entrasse em Berlim Oriental com o fim de esmagar a rebelião dos trabalhadores e de manifestantes antigovernamentais. Segundo analistas, a investida soviética em Berlim foi o prenúncio de outras intervenções posteriores na Hungria em 1956 e na Tchecoslováquia em 1968.

No dia seguinte aos distúrbios, uma multidão de trabalhadores descontentes e outros dissidentes governamentais, estimada entre 30 e 50 mil manifestantes, tomou as ruas. Líderes do protesto emitiram uma declaração convocando uma greve geral, a renúncia do governo da Alemanha Oriental e eleições livres. As forças soviéticas atacaram sem demora e sem prévia advertência.

As tropas, apoiadas por tanques e outros veículos blindados, irromperam em meio à multidão de manifestantes. Alguns dos manifestantes tentaram resistir e contratacar, mas a maioria fugiu antes da arremetida. Funcionários da Cruz Vermelha em Berlim Ocidental estimaram o total de mortes entre 15 e 20 e o número de feridos em mais de 100. O Comando Militar soviético decretou a lei marcial e já na tarde de 17 de junho os manifestantes haviam sido dominados e uma relativa calma foi restabelecida.

Enquanto isso, em Washington, o presidente Dwight Eisenhower declarava que a brutal ação soviética contradizia a propaganda russa de que o povo da Alemanha Oriental se sentia feliz com o seu governo. Em meio à Guerra de propaganda em plena Guerra Fria, a emissora radiofônicaVoz da América na Europa transmitia que a repressão aos que protestavam era “uma boa lição do que o comunismo representava e que os trabalhadores de Berlim Oriental acabavam de escrever uma página gloriosa na história do pós-guerra. Tinham exposto a natureza enganadora dos regimes comunistas."

Essas críticas tiveram pequeno efeito sobre o controle soviético da Alemanha Oriental, que permaneceu como uma fortaleza socialista na Europa Central até a queda do Muro de Berlim em 1989.


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Ronaldo

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