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Cíntia Alves

Grupo formado por 4 procuradores da República lidará com 14 inquéritos a reboque da delação da Odebrecht. Thaméa Danelon já é conhecida por sua campanha pelas 10 medidas anticorrupção e admiração à Lava Jato de Curitiba


Jornal GGN - A Procuradoria da República em São Paulo conseguiu autorização de Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público Federal, para criar uma força-tarefa com o objetivo de investigar supostos crimes relatados na delação da Odebrecht. Quatro procuradores - entre eles, Thaméa Danelon (foto) - serão responsáveis por 14 inquéritos, sendo que 2 são contra Lula, 1 contra Fernando Haddad, 1 contra José Genoíno e mais 1 contra Alexandre Padilha.

Contra tucano graúdo, só figura na lista da força-tarefa divulgada pela Folha, nesta sexta (21), um caso relacionado a José Serra, sobre pagamento de propina nas obras da linha 2 do Metrô. Foram citados também Edson Aparecido, Barros Munhoz, José Aníbal e Ricardo Franco Montoro, todos em inquérito sobre caixa 2.

Lula, ao que tudo indica, será indiciado por ter recebido benefícios para si e familiares em troca de favores a Odebrecht. Os inquéritos serão sobre o relato de que seu irmão, José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, recebia uma mesada da Odebrecht desde o primeiro mandato do ex-presidente petista. Além disso, a relação da Odebrecht com a empresa de Luis Cláudio Lula da Silva, que trabalha com campeonato de futebol americano, também será investigada.

Sobre Haddad, os procuradores pretendem apurar demúncia de que houve caixa 2 na eleição de 2012. Padilha, que foi candidato ao governo de São Paulo em 2014, também terá inquérito sobre doações irregulares.

José Genoíno, por sua vez, será investigado por caixa 2 na campanha de 2010. O GGN mostrou, em abril, que foi com base em uma delação que, gravada em vídeo, durou apenas 3 minutos e 35 segundos, que Janot pediu a abertura de um inquérito.

A petição 6698 sinaliza que o petista aceitou doação eleitoral da Odebrecht, em 2010, no valor de R$ 30 mil e, além disso, teria recebido mais R$ 15 mil das mãos de Alexandrino Alencar, como parte de uma ação "piedosa" do delator e do "próprio Emílio Odebrecht", que ficaram sensibilizados com a situação de Genoino após o Mensalão. Nos dois casos, porém, delatores negaram "contrapartidas".

Enquanto essa delação virou prioridade da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, casos como os R$ 23 milhões para José Serra com participação de Paulo Preto e outros ex-agentes do Estado sem foro não têm destino claro.

ENQUANTO ISSO...


O pedido de Janot para que Geraldo Alckmin seja investigado após as delações da Odebrecht foram para o Superior Tribunal de Justiça e não há resposta até o momento. À Lava Jato, um executivo da Odebrecht disse que Alckmin recebeu R$ 10 milhões em doações ilegais em 2010 e 2014. Parte do caixa 2 estaria ligado a obras da Sabesp.

A delação da Lava Jato rendeu um total de 29 pedidos de investigações feito pela equipe de Janot e remetidos a São Paulo, em virtude da falta de foro privilegiado dos investigados.

Destas 29 petições, uma foi declinada ao Ministério Público Estadual por envolver corrupção na Secretaria Estadual da Fazenda, 12 foram encaminhadas a procuradorias em municípios no interior do Estado, duas distribuídas a procuradores na capital, e as 14 restantes estão tramitando sob responsabilidade da força-tarefa.

Ao contrário do que acontece em Curitiba, em São Paulo, contudo, a força-tarefa não será exclusiva para a Lava Jato.

"A força-tarefa recém formada se diferencia da conhecida estrutura existente em Curitiba, visto que os procuradores de São Paulo não terão dedicação exclusiva à operação, acumulando seus demais procedimentos. No entanto, a constituição do grupo possibilitará que os membros atuem de maneira mais integrada e colaborativa, podendo haver mais de um procurador responsável por cada caso, agilizando, assim, o andamento dos trabalhos, visto que qualquer um deles pode participar de atos relacionados aos procedimentos", informou o MPF-SP.

OS 4 PROCURADORES


Participam da força-tarefa 4 procuradores: Thiago Lacerda Nobre, José Roberto Pimenta Oliveira, Anamara Osório Silva e Thaméa Danelon Valiengo. Todos integram o Núcleo de Combate à Corrupção (NCC) da Procuradoria da República em São Paulo.

A procuradora Thaméa já é conhecida por ter participado da campanha a favor das 10 medidas anticorrupção do Ministério Público Federal. Os eventos ao lado do procurador estrela da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ajudaram a projetá-la e a levaram a inúmeros programas de TV e rádio.

Nas redes, a procuradora não esconde a admiração à chamada República de Curitiba, e posa em fotos ao lado de Sergio Moro.

Em entrevista recente, comentou os processos que Lula move contra os procuradores do Paraná. Para ela, essa conduta é "normal" quando vem de "pessoas [que] não conseguem se defender dos crimes, porque as provas são tão robustas e maciças."

Ela ainda comentou a sentença do triplex, defendendo que o MPF conseguiu provar que o imóvel era de Lula.

Sobre os inquéritos de Lula em São Paulo, disse que tudo ainda precisa ser apurado e não antecipou juízo de culpa - contrariando o modus operandi da turma de Curitiba.



GGN
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Durante o discurso do Temer na 50ª Cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, nesta sexta-feira (21), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não resistiu as tantas besteiras e histórias nem sempre verdadeiras e acabou dormindo dormiu.

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"Com o impeachment, a política externa deixa de ser prioridade na agenda presidencial. Cada vez mais, esta ocupa-se, e não sem motivo, da tentativa de manutenção do atual presidente no cargo. Assim, um país que foi muito hábil em ter uma política externa relevante no cenário internacional hoje tem seu protagonismo amplamente reduzido

Algumas poucas evidências desse processo são suficientes. A primeira talvez seja o endurecimento da postura brasileira com relação a alguns vizinhos, o que, sem dúvida, mina a influência do país no âmbito regional e, consequentemente, internacional. Em segundo lugar, o foco, quase que exclusivamente comercial, que a política externa passou a ter no governo Temer, mais do que simplório, é míope. É simplório, pois não retira o país da posição de refém das oscilações de preços dos produtos que vende internacionalmente. O caso recente da Operação Carne Fraca,4 colocando em xeque os principais frigoríficos exportadores do país, é emblemático nesse sentido. É míope, uma vez que tal postura coloca o país à margem dos principais processos políticos regionais e internacionais. Por um lado, é absurda a completa irrelevância brasileira diante da gravíssima crise na vizinha Venezuela. Por outro lado, é perturbador o fato de o Brasil, por conta de não ter apresentado candidatura, ficar de fora do Conselho de Segurança das Nações Unidas até pelo menos 2033. Sendo esta a principal instância relativa à paz e à segurança internacionais, tal fato é, no mínimo, desassossegador. Soma-se a esses fatos o primeiro voto brasileiro contrário a uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no início deste ano. Isso é simplesmente inédito para o país. Esse fato torna-se ainda mais inquietante ao se ter em conta que a resolução se centrava no impacto negativo que medidas de austeridade têm sobre os direitos humanos."

Por Ramon Blanco, doutor em Relações Internacionais; e Lucas Mesquita, doutor em Ciência Política.
Le Monde Diplomatique